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Você não é tímido, mas ainda assim é refém da vergonha. Sabia?

Educação Emocional

O que é vergonha para você? Timidez? Geralmente associamos vergonha à timidez, mas ela está conectada ao sentimento de não ser bom o bastante e de inadequação. Ou seja, podemos ser reféns da vergonha sem saber. E aí, será que você é?

Há vergonha em todos os lugares. Ela aparece quando falamos em público e a plateia não é receptiva, ao sermos criticados na internet, quando falamos em um grupo e não somos escutados,  quando obtemos nota baixa na prova, não batemos a meta no trabalho, nos atrasamos para buscar o filho na escola, levamos um fora, tropeçamos e caímos na rua. A lista é infinita. 

Vergonha é definida pela pesquisadora Brené Brown como “o sentimento doloroso decorrente de acreditarmos que somos defeituosos e, portanto, indignos de amor e pertencimento’’. O que seria o  “oposto de assumirmos nossa história e nos sentirmos valiosos”.Ela está ligada ao medo de que as pessoas não gostem ou não nos aprovem.

Geralmente não lidamos muito bem com ela. Diante da vergonha, algumas pessoas se retraem, outras buscam agradar, ou se tornam agressivas.

Por exemplo, durante uma conversa, quando uma das partes sente que suas ideias são menosprezadas, ela pode silenciar-se, mudar de opinião ou partir para o confronto. Nenhuma das reações representa a melhor maneira de lidar com a experiência de vergonha.

Consciente ou inconscientemente, em muitos casos, a vergonha é utilizada como ferramenta de controle e poder. E seu impacto é destrutivo. Sabe aquele chefe que curti expor as falhas de colaboradores diante do time? Pois é sobre isso que estou falando.

Vergonha é diferente de culpa. A primeira diz respeito à quem somos, já a segunda está relacionada ao nosso comportamento. Culpa: Eu fiz algo ruim. Vergonha: Eu sou ruim.

A culpa permite que a pessoa reconheça um erro e busque repará-lo. Há a chance de redenção. A vergonha condena quem a carrega consigo.

Enfim, vergonha é a noção de não pertencimento pela desvalorização de quem somos.

Resiliência à vergonha

Brown indica que a vergonha precisa de três coisas para crescer e escapar ao nosso controle: segredo, silêncio e crítica. Pessoas com altos níveis de resiliência à ela adotam quatro comportamentos que ajudam a combater esses três fatores:

  • Compreendem a vergonha e sabem reconhecer que mensagens e expectativas disparam sua vergonha.
  • Praticam consciência crítica examinando a verdade das mensagens e expectativas que nos dizem que ser imperfeito significa ser insuficiente.
  • Procuram ajuda e compartilham suas histórias com pessoas em que confiam.
  • Falam “vergonha”, usam a palavra vergonha, conversam sobre vergonha como sentem e pedem o que precisam.


Foi na observação de tais aspectos que a pesquisadora chegou à conclusão de que para desenvolvermos resiliência à vergonha, precisamos fazer as seguintes reflexões e incorporá-las em nossa vida, quando necessário:

  • Em quem você se transforma quando está acuado pela vergonha?
  • Como você se protege?
  • Quem você chama para lhe ajudar a trabalhar sua sede de vingança, ou a vontade de chorar e se esconder ou a inclinação a agradar os outros?
  • Qual é a coisa mais corajosa que você poderia fazer por si mesmo quando se sente diminuído e magoado?

O processamento da vergonha vai nos libertando de suas amarras. E, para isso, além da auto-observação e reflexão, precisamos contar com um ombro amigo. Falar sobre nossas experiências de vergonha.

Autoaceitação, amor-próprio e autoconfiança 

Embora autoconfiança e autoestima sejam geralmente tratadas como sinônimos, as palavras têm sentido distintos. O que não quer dizer que não estejam relacionadas.

O dicionário Priberam defini autoestima como o “apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios atos e pensamentos”. Ou seja, a autoconfiança emerge quando reconhecemos nosso valor pessoal.

Autoestima, valor pessoal e amor-próprio são essenciais para nos aceitarmos. São eles que nos concedem a autoconfiança necessária para não abdicarmos de nós mesmos com o objetivo de nos ajustar e conseguir aprovação em diferentes contextos.

Autoaceitação não quer dizer acreditar que somos totalmente sensacionais e autossuficientes, e adotar uma postura defensiva diante de críticas. A dinâmica não é sou o que sou e ninguém vai me mudar.  O mundo não está contra a gente.

É preciso acreditar que merecemos ser amados não apesar, mas por e com nossas falhas.

A postura estimulada aqui baseia-se em reconhecer e aceitar nossas qualidades e defeitos. E caso necessário, buscar aprimorá-los, sem o pensamento determinista de que somos isso e pronto, me aceitem. 

– vergonha + aceitação = pertencimento

Nosso sentimento de pertencimento nunca será maior do que nosso nível de autoaceitação | Brené Brown

Uma das principais surpresas de Brown durante sua pesquisa sobre vergonha foi identificar a diferença entre as ideias de ajustamento e pertencimento.

Segundo ela, ajustamento é quando precisamos avaliar uma situação e nos tornarmos a pessoa necessária para ser aceita. Por outro lado, o pertencimento “não exige que mudemos quem nós somos; ele exige que sejamos quem somos”.

Desta forma, para termos uma experiência integral de amor e pertencimento, primeiro é preciso que a gente acredite ser merecedor de amor e pertencimento. Assim, do jeito que se é.

A fórmula resiliência à vergonha mais aceitação conduz ao sentimento de pertencimento é simples (na teoria). Mas nem sempre segue essa lógica e com certeza não se aplica a todos. Cada ser humano é singular.

De todo modo, ela nos ajuda a refletir um pouco mais sobre nossa relação conosco e com os grupos aos quais pertencemos.

E então, como está sua relação com a vergonha, autoaceitação e pertencimento – e tudo o mais que falamos por aqui?
Beijo:)
Aline