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Você busca conexão emocional por meio de emoções negativas?

Educação Emocional

Vivencia ou acompanha relacionamentos interpessoais que parecem uma montanha russa emocional? Repletos de episódios de tensão seguidos de demonstrações de afeto? O uso de emoções negativas como a raiva e a tristeza com o objetivo de criar conexão emocional é mais comum do que imaginamos. Saiba como evitar esse ciclo vicioso.

Há algum tempo, duas perguntas acompanham minha jornada de pesquisa e aprendizado sobre educação emocional: como as pessoas se conectam? e quais os principais problemas/desafios/conflitos enfrentados nos relacionamentos interpessoais (em família, com o parceiro, amigos e no trabalho)?

Inclusive, me ajuda a te ajudar a lidar melhor com esses dilemas respondendo a esse brevíssimo questionário aqui :)

Nesse percurso não fiquei surpresa ao descobrir que emoções negativas é uma das principais maneiras de nos conectamos uns com os outros. Como assim, Aline?

Tristeza.Percebeu como rapidamente sentimos compaixão pelas pessoas afetadas por tragédias?  Reconhecemos seu sofrimento e estamos dispostos a ajudar?  É difícil não empatizar e deixar de acolher ou, ainda, não ser acolhido quando presenciamos ou estamos tristes. Raiva. Há quem "transborde emocionalmente" com frequência para ter suas necessidades atendidas, seja atenção ou afeto. 

Mas é aí que está o perigo, passado o episódio, a vida segue e a conexão criada naquele momento em geral fica menos intensa. Sente-se a falta do vínculo experienciado ali e, em nossas relações interpessoais, ocorre  o risco de entrarmos  (de forma consciente ou não) em um ciclo vicioso no qual utilizamos emoções negativas como tristezae raiva para criar conexão emocional.

Soa absurdo?! Mas não é. Na realidade essa é uma dinâmica bem comum na maioria dos relacionamentos familiares, amorosos, de amizade e de trabalho.

Já refletiu sobre o que faz  você se sentir amado?

Possivelmente não. Eu pelo menos nunca havia refletido sobre isso antes de me aprofundar em conteúdos sobre educação emocional.

A forma como nos sentimos amados e demonstramos afeto é fundamentalmente desenvolvida na infância. Somos influenciados pela maneira como nossos cuidadores (que podem ser nossos pais ou qualquer pessoa mais próxima) se relacionam conosco e entre si.

Por isso, quando os cuidadores têm o hábito de "conquistar a atenção" um do outro por meio do descontrole emocional: falar alto e protagonizar brigas, pode ser que a criança inconscientemente acredite que discussões e berros são sinônimos de afeto. E, ainda, se após o conflito as pessoas apresentam um comportamento mais afetuoso, logo, para a criança, isso quer dizer que o afeto surge da tensão.

Dentro dessa lógica, a criança pode fazer pirraça ou simular tristeza para receber carinho e conforto dos cuidadores, pois aprendeu que briga e tristeza faz com que as pessoas se tornem mais atenciosas e acolhedoras.

O processo é o seguinte, não estou me sentindo conectado emocionalmente, crio tensão com base em emoções negativas (raiva ou tristeza, por exemplo), em seguida: a) a resposta emocional do outro já pode corresponder a minha necessidade de conexão (brigar comigo é sinônimo de afeto), ou b) sou acolhido (estou triste, logo recebo palavras de apoio e um abraço).

Os vestígios desse aprendizado se manifesta nas nossas relações na vida adulta, no uso de emoções negativas como a raiva e a tristeza para gerar uma reação no outro com o objetivo de criar conexão emocional. Dentro dessa dinâmica, um chefe pode adotar o hábito de gritar para chamar a atenção e engajar sua equipe, bem como familiares, amigos e casais o de discutir pois além da atenção, em geral, no final do conflito demonstram mais cuidado e carinho uns com os outros.

O hábito de criar conexão por meio de emoções negativas gera um ciclo vicioso muito desgastante, como uma montanha russa emocional, repleta de altos e baixos. O que não é saudável para nenhuma relação interpessoal e que impacta negativamente a nossa vida. Relacionamentos mais harmônicos, que nos deixam emocionalmente seguros e equilibrados, contribuem para que tenhamos um melhor desempenho seja acadêmico, social ou profissional.

Como evitar criar conexão emocional por meio de emoções negativas

Rolou alguma identificação? Caso sim, seja com você ou com alguém no seu convívio, calma que compartilho um passo a passo que pode ajudar a enfraquecer esse padrão de comportamento e fortalecer outro mais saudável.

O primeiro passo para interromper a conexão emocional por meio de emoções negativas é a autoconsciência sobre si mesmo e sobre o outro. Para desenvolver autoconsciência e identificar os nossos padrões de comportamento, podemos refletir sobre as seguintes questões:

  • Você ou o outro (pais, amigos, parceiro, colegas de trabalho etc) tende a ter conflitos que se repetem várias vezes? Sobre o quê?
  • Você ou o outro tende a fingir que está tudo bem depois do conflito? Isso é bom? Isso é gratificante?
  • Você ou o outro tende a se distanciar ou se fazer de vítima quando não se sentem conectados?
  • Você ou o outro tende a utilizar a tristeza como uma forma de aproximação para receber carinho e conforto? É confortado quando está triste?


O segundo passo é adotar uma estratégia para interromper o ciclo (ou seja, fazer algo diferente do habitual), e encontrar novas formas de se conectar com o outro para além das emoções negativas.

  1. Primeiro, reconfigure suas emoções. Uma das melhores maneira de alterar emoções como a tristeza, por exemplo, é mudar nosso estado físico. Nossa expressão corporal está intimamente ligada às emoções e sentimentos que experienciamos. Para nos sentirmos melhor podemos fazer algum exercício como alongar, caminhar ou fazer algo divertido. Tudo isso pode nos ajudar a gerar emoções positivas. Já se estamos com raiva, o melhor é passar um tempo consigo para "esfriar a cabeça" antes de falar com o outro. Ninguém é capaz de manter uma boa comunicação quando está com raiva.
  2. Segundo, faça algo diferente do habitual ao perceber que você ou seu interlocutor está criando tensão com o objetivo de obter conexão emocional. Se normalmente discute, afaste-se. Se normalmente conversa sobre o mesmo tópico por duas horas sem chegar a um consenso, antes de iniciar a conversar reflita sobre o assunto de forma objetiva. A intenção aqui é interromper o padrão de comportamento negativo, antes que vocês se engajem nele completamente. Faça outra atividade como um exercício físico, cozinhe ou escreva em um diário. O objetivo não é evitar o conflito, sim a busca por conexão emocional por meio de emoções negativas.
  3. Terceiro, aborde qualquer situação (a causa da sua tristeza ou raiva) de forma intencional com calma, em vez de maneira reativa e inconsciente. Primeiro entenda por que você está se sentindo de certa maneira. Então, se está se sentindo triste, em vez de esperar que o outro venha ao seu resgate (ou não, e isso se tornar um gatilho para a raiva) expresse para ele como você está se sentindo (claro, comunicando-se de maneira que não cause conflito). Ou seja, se está sentindo raiva, seja por causa do outro ou não, fique calmo e tenha clareza sobre suas necessidades e crie um plano par discutir a questão.


Para simplificar esse processo, faça as seguintes reflexões pois ao respondê-las você estará mais preparado para interromper comportamentos que o levam a buscar conexão emocional por meio de emoções negativas.

  • Quais são as coisas que você pode fazer para mudar seu próprio estado quando começa a sentir raiva ou tristeza? Quais conteúdos, músicas te energizam e ajudam a alterar o seu humor? Quais atividades físicas você pode fazer para aliviar a tensão?
  • O que você poderia fazer DIFERENTE quando perceber que o ciclo está começando? De que maneiras alternativas você pode lidar com situações que lhe causam tristeza ou raiva que não são reativas ou explosivas?
  • Como você poderia expressar sua necessidade de conexão emocional de maneira transparente e gentil? Em quais situações positivas você se sente emocionalmente conectado com o outro?

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Conexão emocional por meio de emoções negativas não precisa ser o normal

Com esse processo a intenção é 1) interromper o uso de emoções negativas como uma forma de criar conexão emocional, 2) reconhecer e expressar de maneira objetiva e transparente a necessidade de conexão e 3) entender em quais situações nos conectamos por meio de emoções positivas para reforçá-las.

Assim podemos substituir o comportamento automático que cria a sensação de montanha russa: na dinâmica tensão/afeto, e substituí-lo por um comportamento autoconsciente, baseado na comunicação clara das nossas necessidades (conversamos sobre isso em Como solucionar conflitos? Cultive transparência por meio da Comunicação Não-Violenta) e no fortalecimento das experiências que nos conectam por meio de emoções positivas.

Relacionamentos interpessoais baseados na  tensão como forma de conexão emocional podem soar "naturais". Você pode argumentar: "Ah, Aline, relacionamento é assim mesmo", "As pessoas só funcionam com base na pressão", ou "Isso anima a relação". Eu entendo, de verdade, que o "normal" (ou seja, aquilo que ocorre com mais frequência) é interpretado como o "natural", mas não precisa ser.  Pelo menos até hoje ninguém conseguiu me convencer de que seres humanos estão a mercê de qualquer comportamento "natural/normal".

Sim, somos fortemente influenciados por modos de operar que herdamos no processo evolutivo da  espécie, ou que aprendemos no convívio familiar. Mas é sempre válido lembrar que seres humanos são dotados de consciência (reconhecem a própria existência) e racionalidade. Por mais que a gente apresente tendências para certos comportamentos, é possível sim parar, respirar, refletir e fazer o que é "natural/normal" (comportamento automático) ou ESCOLHER seguir um caminho alternativo.

Na conversa de hoje apresentei a você uma nova maneira de se conectar emocionalmente com as pessoas no seu convívio. Uma maneira mais saudável e enriquecedora para a sua vida e das pessoas no seu entorno.

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Beijo :)
Aline

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