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Tristeza: o que é, de onde vem, quais os tipos e como lidar?

Educação Emocional

Ao longo da vida somos confrontados com diversas situações em que experienciamos tristeza, contudo sabemos muito pouco sobre ela. Entenda o que é a tristeza, de onde ela vem, quais os tipos e como lidar com ela.

Ao longo da vida experienciamos diversas situações de tristeza, como quando entramos em conflito em nossos relacionamentos interpessoais, nos acidentamos, nossas expectativas são frustradas, presenciamos tragédias e injustiças, divagamos sobre questões existenciais,  adoecemos e acompanhamos o adoecimento ou morte de pessoas queridas.

É na infância que aprendemos (ou não) a expressar que estamos tristes, e é nesse período que desenvolvemos defesas psicológicas para nos adaptarmos às experiências de dor e sofrimento.

Em geral, não somos ensinados formalmente a lidar com essa emoção e os sentimentos decorrentes dela. Por isso desenvolvemos modos de operar diante da tristeza que podem ser mais prejudiciais do que benéficos, e que nos limitam na vida adulta.

A dificuldade de lidar com a tristeza pode nos conduzir a desenvolver comportamentos autodestrutivos, que representam uma forma de fuga da emoção como o vício (em substâncias químicas e jogos, por exemplo), a automutilação e o excesso de trabalho.

De certo modo, enquanto crianças e, posteriormente, na vida adulta somos estimulados a dissimular a tristeza, quando utilizamos frases de consolo do tipo: "Não fique triste. Anime-se. Tudo vai ficar bem!", ou bloqueamos a expressão da emoção com um clássico "Não foi nada. Não chore". Isso parece ocorrer devido à super valorização do comportamento positivo, que também pode ser limitante.

Aqui faço mea culpa. Reconheço que minha relação com a tristeza é pouco amistosa. Por ter um estilo emocional mais positivo, tenho tendência a adotar uma atitude do tipo "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima", às vezes, rápido demais.  Quem se identifica?

A princípio uma pessoa positiva, que vê o lado bom  (aprendizados) nas piores situações pode soar bem massa. Mas se não estivermos atentos, a  positividade ao extremo pode nos tornar míopes diante do real aprendizado a ser extraído das experiências que geram emoções "negativas".

Quando a gente não se dá o tempo necessário para sentir e processar uma emoção e os sentimentos decorrentes  dela, pode ocorrer o risco de partirmos antes da cura.

Aí, os aprendizados são fake. Só rolou um verniz.

Então, bora entender melhor o que é tristeza

De acordo com a definição do Atlas das Emoções, elaborado pelo psicólogo Paul Ekman, a tristeza é uma das cinco emoções básicas universais (dentre elas alegria, desgosto, raiva e medo), e manifesta-se como uma resposta à perda.

Sentir-se triste nos permite tirar um tempo e mostrar para os outros que precisamos de apoio.

A emoção, no caso tristeza, é uma reação fisiológica. Ou seja, manifestada no nosso corpo. Podemos senti-la fisicamente e identificá-la por meio da expressão facial e da linguagem corporal. Já o sentimento é a  interpretação da emoção, processada na mente. Por isso, a experiência de tristeza (física) está associada aos sentimentos (processo mental), como:

Desapontamento
- sentimento de que as expectativas não estão sendo atendidas.
Desânimo - resposta a repetidos fracassos para realizar algo: a crença de que isso não pode ser feito.
Desassossego - sensação que dificulta a pessoa a pensar com clareza.
Resignação - crença de que nada pode ser feito.  Desamparo - percepção de que não é possível tornar uma situação melhor ou mais fácil.
Desesperança - crença de que nada de bom pode acontecer.
Miséria - sentimento de forte sofrimento ou infelicidade.
Desespero - perda da esperança de que uma situação ruim irá melhorar ou mudar.
Luto - sentimento por uma perda profunda.
Sorrow - (é uma dimensão da tristeza que pode causar confusão porque a palavra é usualmente traduzida do inglês para o português como tristeza, e ainda pode ser compreendida como pesar e aflição) - sentimento de profundo sofrimento em geral também causado por uma perda.
Angústia - tristeza intensa ou sofrimento.
Cada sentimento apresenta uma intensidade. Como é possível observar no gráfico abaixo, podemos nos sentir desapontados por um período de tempo maior do que angustiados. A angústia se manifesta em período mais curto e  de forma mais profunda.


Fonte: Atlas das Emoções
Respondemos aos estados emocionais com ações. Assim, tristes podemos manifestar vergonha, choro, protesto (contra a perda), ruminação (pensamento obsessivo sobre a perda), busca de apoio e negação (evitar pensar sobre ou ficar perto do gatilho da emoção).

Tais ações variam conforme a circunstância. Em público, podemos dissimular o que estamos sentindo; o que não é de todo o mal, especialmente se as pessoas no entorno são hostis e não estão aptas a oferecer a ajuda necessária para lidar com os sentimentos naquele momento.

O problema surge se tal atitude se torna um padrão consciente ou não, que dificulta o reconhecimento e a adoção de uma estratégia para lidar com o sentimento. Por isso reforço, sim, é compreensível dissimular um sentimento em público, mas é importante buscar apoio de pessoas confiáveis para expor nossas vulnerabilidades.

Quais os tipos de tristeza e como lidar?

Pesquisando sobre o tema desta conversa, li um artigo em que Deepak Chopra indica que experienciamos três "tipos de tristeza": 1) de curto prazo, 2) desencadeada por algum agente externo e 3) a depressão.

O que cada um significa?

de curto prazo: é a tristeza mais comum, aquela que a gente sente  de vez em quando, e pode ter uma causa identificada ou não.  Dura alguns dias, ou no máximo uma semana. Podemos lidar com ela apenas reduzindo o estresse no dia a dia. Como? Comprometendo-se com menos atividades, saindo com os amigos, praticando caminhada ou corrida (já disse em outro post que amo correr quando estou estressada), reservando um tempinho para assistir algo na televisão sem grandes preocupações etc. Estresse excessivo, falta de sono suficiente, sedentarismo e atividades entendiantes estão associadas à manifestação de mau humor.
desencadeada por algum agente externo: esse tipo de tristeza pode estar associada à algum acontecimento como perder um emprego ou pessoa querida. Nesse caso você sabe o motivo da tristeza, mas em geral sente-se desamparado (com a percepção de que não é possível tornar uma situação melhor ou mais fácil). Aí, só cabe processar a origem da tristeza, compartilhar o que está sentindo com alguém que possa oferecer apoio e deixar o tempo fazer o seu trabalho. Se você leu até aqui com o objetivo de encontrar uma resposta milagrosa para esse tipo de tristeza, desculpa frustrá-lo, mas a real é que não tem fórmula mágica. O caminho é reconhecer, compartilhar e deixar ir. Esse tipo de tristeza não tem tempo certo para nos deixar, mas um adulto emocionalmente saudável volta ao padrão emocional que apresentava antes do gatilho dentro de seis meses.
depressão: a tristeza manifestada por uma pessoa que está depressiva pode ter origem em um gatilho claro ou não, a diferença é que nesse caso a pessoa não consegue lidar com a emoção e os sentimentos gerados por ela. Assim, a tristeza faz morada, perde-se o ânimo e a vida sua cor. Se a tristeza manifesta-se de forma consistente por semanas, a melhor alternativa é buscar a ajuda de um profissional de saúde.

Como dar menos espaço para a tristeza se acomodar?

Exceto no caso da depressão, em que é fundamental buscar ajuda médica, podemos dificultar com que os dois primeiros tipos de tristeza se instalem na nossa vida por meio do cultivo de bem-estar, que está associado à uma concepção mais ampla do conceito de felicidade.

Em geral, pensamos na felicidade como uma emoção (a alegria - manifestada  pelo estado emocional ou  humor), provocada por um agente externo, como ocorre quando ficamos mega felizes por encontrar um amigo de longa data na rua.

Mas felicidade também pode ser (e de preferência deveria ser) compreendida como um estado de bem-estar de longo prazo, conectado ao sentimento de contentamento, que influencia nosso nível de satisfação com a vida.

Dentro dessa perspectiva, podemos cultivar bem-estar de diversas maneiras por meio da criação de bons hábitos, mas não vou me delongar neste tópico aqui. Há alguns conteúdos sobre bons hábitos no blog e com certeza produzirei mais.

Nesta conversa quero enfatizar que talvez o mais importante para evitar com que a tristeza se acomode em nossa vida, ou qualquer emoção "negativa", é o cultivo da resiliência emocional. Pois ela nos capacita a superar as adversidades.

A melhor maneira de desenvolvermos resiliência emocional é mantendo-se autoconsciente sobre os próprios sentimentos, em vez de evitá-los. Desvencilhando-se de pensamentos de vitimização, que são diferentes de autocompaixão. A vitimização nos paralisa, já a autocompaixão nos fortalece, pois expressa-se com o desejo de a gente se ajudar. E é essa atitude propositiva, na busca estratégias diante de uma situação difícil, que pode contribuir para não permanecermos nela.

A convivência com pessoas emocionalmente saudáveis e maduras também ajuda, muito. É sempre benéfico buscar orientação de quem passou pela mesma situação que a gente e entender como a pessoa lidou com o que estamos enfrentando.

O mais importante: a tristeza é do bem

Como enfatizado em artigo da Psychology Today, a tristeza é uma parte natural da vida e geralmente está ligada a certas experiências de dor ou perda, ou até mesmo a um momento significativo de conexão ou alegria que nos faz valorizar nossas vidas.

Sendo assim, a tristeza pode nos ajudar a despertar para o que realmente importa e para o significado da nossa jornada aqui. Sentir-se triste  talvez seja aquele chacoalhão amigo que precisamos de vez em quando para colocar os pés no chão e nos tornarmos mais centrados.

Além disso, a tristeza está relacionada a melhoria da nossa memória, da capacidade de processamento de informações e julgamento, da motivação e, em alguns casos, até de relacionamentos interpessoais. Mas essas descobertas de pesquisas científicas eu compartilharei em outra conversa.

Depois de tudo isso só posso dizer: fica triste, de verdade, mas não permaneça na tristeza.

Desejo que esse conteúdo tenha conversado com você. Agora,  vamos cocriar conhecimento com base na nossa experiência lá na caixa de comentários?

Beijo :)
Aline

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