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Somos facilitadores ou dificultadores das nossas relações?

Relacionamentos

Não acredito em métodos, fórmulas ou mapas para nos relacionarmos melhor uns com os outros. Mas é possível adotarmos posturas e desenvolvermos competências que, adaptadas à cada relação, podem nos ajudar a facilitá-las ao invés de dificultá-las.

Durante as múltiplas interações que vivenciamos em casa, na rua e no trabalho, há a oportunidade de criarmos barreiras ou pontes entre nós e o outro. Em cada interação podemos facilitar ou dificultar um relacionamento de forma intencional ou não.

Dificultamos de forma não intencional quando demonstramos inabilidade para gerenciar emoções difíceis, empatizar com o outro, reconhecer e negociar interesses, expectativas e necessidades, e nos comunicarmos de forma assertiva.

Ao dificultar as nossas relações promovemos desencontros. 

O contrário de dificultar pode ser facilitar. Mas não se engane, facilitar relações interpessoais não significa evitar ou viver livre de conflitos. Conflito aqui não é sinônimo de briga. Sim do desencontro de perspectivas, interesses, necessidades e expectativas, que quando mal gerenciados podem sim se transformar em uma briga.

A diferença é que brigas são improdutivas e desnecessárias, já conflitos são essenciais. É o desencontro saudável que promove o reencontro. Pois é a oportunidade de alinharmos o nosso jeito de ser com o do outro.

Por sermos essencialmente diferentes, o desencontro e, consequentemente, o conflito, está no core business da vida em sociedade. É fundamental. Não há como dissociar a vida e estar em relação com o outro da presença de conflitos.

Facilitar as nossas relações também não tem a ver com nunca falhar na comunicação ou não nos envolvermos com as nossas emoções em situações de estresse. Somos humanos e, por isso, falhos. Reconhecer tal condição não nos concede passe livre para insistir nos mesmos erros. Apenas nos permite praticar a autocompaixão e aprender com a nossa experiência.

Por último, e com certeza não menos importante, facilitar as nossas relações não quer dizer que seremos queridos por gregos e troianos. Apenas que é possível transitar e conviver entre gregos e troianos, com respeito. Não é tarefa fácil, mas é possível.

Como facilitar ao invés de dificultar relacionamentos interpessoais?

Não acredito em métodos, fórmulas ou mapas que garantam a construção de relações de qualidade. Cada relação exige de nós “algo” muito singular.

Isso ocorre devido à singularidade de cada pessoa e relação. Por exemplo, na nossa singularidade podemos apresentar diferentes feridas emocionais e estilos de apego que influenciam a forma como nos conectarmos uns aos outros.

A maneira como me relaciono com a minha mãe não se aplica à minha relação a dois ou com um colega de trabalho. A “fórmula" que aplico em cada uma das minhas relações pode não funcionar nas suas.

Por isso, enfatizo: não acredito em métodos, fórmulas ou mapas para nos relacionarmos melhor uns com os outros. Mas é possível adotarmos posturas e desenvolvermos competências que, adaptadas à cada relação, podem nos ajudar a facilitá-las.

Facilitar quer dizer tornar ou fazer fácil, ou exequível. Prontificar-se, prestar-se ou dispor-se. Dentro dessa perspectiva, é possível que cada um de nós se torne um facilitador das nossas próprias relações, se incorporarmos pelo menos dois aspectos fundamentais:

  1. Adotarmos a postura de facilitador: ou seja, a predisposição para tornar as nossas relações mais fluidas e harmônicas. Isso significa dedicar atenção e o esforço necessário para cultivar e fortalecer a conexão com o outro. Relações dão trabalho. Não vou mentir. Construí-las tijolinho por tijolinho requer um coração disposto.
  2. Desenvolvermos e aplicarmos competências de relacionamento: como comunicação, negociação e inteligência emocional, para "driblar" desencontros e vivenciá-los com mais leveza.

Ambos aspectos nos tornam mais aptos a:

  • manter interações com mais qualidade;
  • reduzir a possibilidade de desencontros;
  • entrar em contato e lidar melhor com as nossas emoções e com as dos outros;
  • responder de forma construtiva aos desencontros e às conversas difíceis que fazem parte deles;
  • reconhecer, validar e alinhar perspectivas, necessidades, interesses e expectativas dos outros com os nossos.

Competências que não somos formalmente ensinados a desenvolver e que não são aprendidas da noite para o dia. Precisa de tempo e dedicação. É um exercício diário.

A boa notícia é que não faltam oportunidades para exercitá-las. Como disse no início dessa conversa, a cada interação temos a oportunidade de facilitar ou dificultar as nossas relações. A cada encontro e desencontro temos a oportunidade de aprender mais sobre a gente e sobre o outro. E sāo nas relações mais desafiadoras que precisamos dar o nosso melhor para facilitar ao invés de dificultá-las.

Conviver com mais leveza não é tarefa fácil. Construir relações de qualidade, mais harmônicas e enriquecedoras é um "trabalho" que exige, além de muita disponibilidade, algum preparo. Dois aspectos fundamentais para nos tornarmos facilitadores das nossas relações.

E agora, sabe dizer se você é um facilitador ou dificultador das suas relações?

Beijo :)

Aline

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