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Ser disponível é que nos torna importante. Não o contrário

Relacionamentos

Há certo fetiche em torno da ideia de que estar, ou pelo menos parecer, ocupado nos faz importantes. Uma ideia sem sentido. A mentalidade ocupada igual a importante nos torna indisponíveis para as necessidades do outro. Ocupados não criamos espaço para nos conectarmos às pessoas. Assim não nos tornamos importantes para ninguém. Vem conferir o que realmente nos torna importante.

Há alguns anos trabalhei em um projeto no qual acompanhava a ideação e a implementação de ações de inovação em cerca de 40 empresas.

Nessa época precisava realizar pelo menos uma reunião no mês com o representante de cada empresa. O que significa articular 41 a agendas. Se sofremos para fazer a nossa agenda conversar com a de uma pessoa, imagine o desafio que é sintonizar 41 agendas.

Na saga de marcar e desmarcar reuniões aprendi uma lição sobre a nossa indisponibilidade para o outro, que compartilho com você hoje. Estar (ou pelo menos parecer ocupado) é uma “tendência”. Uma tendência que vale um tempo para reflexão.

Sobre ser indisponível com o objetivo de parecer importante

Para ter mais controle sobre a minha agenda e facilitar meu deslocamento ao longo do mês, ao final de cada reunião eu sugeria ao responsável pela empresa a data do próximo encontro.

Certa vez sugeri uma data a um empresário, e ele aceitou de imediato. Logo percebi que eu já tinha outro compromisso no dia, pedi desculpa e indiquei uma nova data. Ele aceitou sem contestar.

Não me recordo o que comentei, mas meu comentário e agradecimento pela disponibilidade fez com que ele me falasse sobre como algumas pessoas curtem ser indisponíveis para parecerem importantes.

Segundo ele, não era difícil encontrar pessoas com essa postura no ambiente empresarial. Um comportamento que repudiava e que dificulta as nossas relações. Não havia pensado sobre isso até aquele momento, e só pude concordar.

É real. Tanto nas nossas relações pessoais quanto profissionais há quem não queira parecer disponível, com receio de soar menos importante. Isso pode estar conectado ao fetiche em torno da ideia da agenda cheia. Um fetiche que estimula comportamentos improdutivos como não aceitar a sugestão de data e horário para uma reunião, e sugerir outra apenas para não soar muito disponível.

Há também quem simplesmente prioriza as suas necessidades sem considerar as dos outros. Pessoas que, de forma consciente ou insconsciente, não estão dispostas a fazer o mínimo esforço para facilitar a vida do outro. Nem mesmo o agendamento de uma reunião. O pensamento é: “minhas necessidades, e apenas as minhas necessidades, primeiro”.

Disponibilidade para o outro não tem a ver com estar ocioso

A atitude daquele empresário reforçou para mim a ideia de que facilitar as nossas relações tem muito a ver com mentalidade e postura.

Ele não era uma pessoa desocupada, pelo contrário. Além de responsável por inúmeras demandas na empresa da família que passava por um processo de reestruturação, também atuava como gerente do setor de tecnologia de uma empresa importante e estava prestes a ser pai. Era uma pessoa ocupada, no sentido mais verdadeiro do termo. Ocupado e disponível.

Disponibilidade para o outro não tem a ver com estar ocioso. Tem a ver com facilitar, não dificultar as nossas relações. Diferente da mentalidade da pessoa indisponível, que tende a enxergar (e até criar) problema na solução.

Depois desse episódio cresceu em mim o sentimento de apreciação, respeito e reciprocidade por ele. Era mais compreensiva quando me pedia para remarcar uma reunião. Acreditava profundamente que respeitava e valorizava o meu tempo.

Sua postura me lembrou o famoso dizer popular: "Se precisar que algo seja feito, procure alguém ocupado". O mesmo pode ser aplicado aqui, se precisar de alguém que valoriza e respeita a sua atenção e tempo, procure alguém ocupado - de verdade.

Cada vez mais percebo que as pessoas que têm mais responsabilidades são as mais disponíveis para o outro. Fazem malabarismos para gerenciar múltiplos pratinhos. E em meio tudo isso se esforçam para considerar as necessidades dos outros, dedicar tempo e atenção.

Em qualquer relação, as necessidades de todos os envolvidos importam

Ao forçar uma aura de indisponibilidade com o objetivo de parecer mais importante, ou ao priorizar apenas as nossas necessidades sem considerar as dos outros, dificultamos as nossas relações.

Com isso não quero dizer que devemos sobrepor as necessidades dos outros às nossas. O argumento aqui é de que relações saudáveis e que fluem dependem de que todos os envolvidos tenham as suas necessidades atendidas. Nem as minhas, nem as suas necessidades são superiores ou inferiores. Ambas merecem consideração e respeito.O empresário valorizava o meu tempo e eu valorizava o dele.

Além disso, o fetiche pela indisponibilidade é uma tendência que prejudica a nossa saúde mental e emocional, pois queremos ser “produtivos" até nos momentos de lazer. Isso é tão grave, que chegamos ao ponto de nos sentirmos mal por não estarmos produzindo nesses momentos.

Um equivoco pois produtividade tem a ver com fazer mais com menos recursos (tempo, dinheiro, pessoas etc). Não com trabalhar 100% do tempo. Também sabemos que não estar no modo produtivo ajuda a nossa mente a conectar ideias, o que nos torna mais criativos e, consequentemente, mais produtivos.

Então, fique tranquilo. Ser disponível não é sinal de que você é menos importante. Afinal, estar sempre ocupado (ou indisponível) nos torna importantes para quem? Possivelmente, para ninguém. Pois indisponíveis não criamos espaço para nos conectarmos com os outros.

Disponibilidade representa atenção e cuidado com as necessidades do outro. E é isso que nos conecta. Quando somos atenciosos com as pessoas é que nos tornamos mais importantes para elas.

Que a disponibilidade se torne uma tendência.

Beijo :)

Aline


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