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Quem você decepcionou hoje com sucesso?

Respiro

É fácil idealizar alguém que não está no nosso dia a dia. Pessoas com as quais não nos relacionamos, de verdade. Idealizamos e somos idealizados, e quando não recebemos o que esperamos nos sentimos frustrados. Hoje tem "respiro" com essa reflexão baseada em fatos reais.

Há alguns anos participei de um evento e tive a oportunidade de almoçar com uma escritora que admiro.

Lá estava eu, querendo promover uma troca genuína com aquele ser humano que havia conquistado a minha admiração por falar sobre presença, afeto, empatia, conexões humanas, refletir sobre os dilemas da vida... temas que me encantam.

Mas para a minha surpresa, a pessoa ao meu lado passou o almoço inteiro digitando freneticamente no smartphone entre uma garfada e outra. Sem nenhum interesse em conectar-se e conversar comigo.

Frustração. O único sentimento possível.

De imediato, a julguei.

Pensei: "como era possível alguém ser tão incoerente? Falar de conexão e presença, e não estar onde estava"

Incoerência ou idealização?

Outro dia lembrei dessa experiêcia refletindo sobre: o quanto da frustração em relação às pessoas que admiramos, ou simples mortais com os quais temos pouco contato, é decorrente do que o outro "promete" e do que a gente idealiza sobre ele?

É fácil idealizar alguém que não está no nosso dia a dia. Com quem não nos relacionamos, de verdade.

Por exemplo, as redes sociais criam a sensação de familiaridade com um outro totalmente desconhecido.

Apesar de não convivermos, o fato de acompanhar a vida daquele estranho de perto, nos faz sentir bem próximo dele. Acreditamos que o conhecemos profundamente.

Esse foi o meu caso com a escritora. Lia tudo que ela escrevia, assistia às suas entrevistas, acompanhava o seu cotidiano no Instagram.

Logo, éramos íntimas. Eu acreditava que a conhecia e, involuntariamente, nutri expectativas sobre como ela se comportaria na minha presença.

Falha minha.

Eu vou te decepcionar

Refletindo sobre isso, cheguei à conclusão de que eu vou te decepcionar.

Calma que explico.

Pensa comigo, quem me acompanha por meio do Pessoa Melhor pode acreditar que verbalizo o afeto nas relações interpessoais naturalmente. Afinal, é isso que incentivo.

E é aí que reside o perigo.

Incentivo a demonstração do afeto, não necessariamente a verbalização. Afinal, cada um tem uma forma singular de demonstrar o amor. Lembra da nossa última conversa aqui?

Por exemplo, palavras de afirmação não é a minha principal linguagem do amor.

Conforme contei outro dia no Instagram, aprendi a utilizá-las com as pessoas no meu convívio que sei que precisam ser nutridas por esse tipo de demonstração de afeto.

Mas não, não é uma atitude natural para mim. É um gesto intencional - o que significa que tenho que pensar para fazer. Isso não o torna menos genuíno. É uma demonstração de amor ainda maior para as pessoas com as quais convivo. Quero que se sintam verdadeiramente amadas.

Contudo sei que isso pode gerar a sensação de incoerência no outro que pode me idealizar por meio do que escrevo. E aí, pergunto, como lidar com essa situação?

Aceite, não temos controle sobre tudo

Acredito que temos muita responsabilidade sobre a expectativa que o outro cria sobre nós. Isso tem a ver com a gestão de marca pessoal (personal branding) tão popular hoje em dia.

Mas também não temos controle sobre as lacunas de informações que o outro tenta preencher sobre a gente. E aqui falo do outro que não está no nosso dia a dia.

Quem convive conosco tem acesso a mais informações para verificar se entregamos o que aparentemente prometemos, e como entregamos isso. Inclusive tem a liberdade para nos dar feedback sobre o nosso comportamento e nos ajudar a nos tornarmos melhores a cada dia.

Já quem não está ao nosso lado não tem dados suficientes para fazer tal análise e, com isso, ocorre o risco de nos retirar da categoria de ser humano.

Naquele almoço eu retirei a escritora que admiro dessa categoria.

Lembro que ela disse de forma muito educada quando nos sentamos à mesa que iria checar como estava a família e responder algumas mensagens de trabalho. Ou seja, ela não estava sendo incoerente. Não estava presente e conectada comigo, porque estava presente e conectada a outras pessoas.

Mas eu queria a presença e a conexão com a pessoa que idealizei.

É preciso ter cuidado sobre o que prometemos para os outros apenas por meio da nossa expressão no mundo? Online e offline? Sim.

Contudo, também precisamos ser mais gentis uns com os outros. Vigiar as nossas idealizações para não retirarmos pessoas da categoria de ser humano.

Isso evita que a gente se frustre nas nossas relações interpessoais por conta das narrativas sobre o outro, que criamos para nós mesmos. Idealizações baseadas em lacunas de informações que somente o presente da convivência pode preencher.

E aí, te decepcionei hoje?

Beijo :)
Aline
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