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Os valores e habilidades do futuro são femininos

Respiro

Sim, o futuro que estamos construindo agora é feminino, não apenas porque teremos mais mulheres em cargos de poder, mas por causa da transformação digital. Um movimento que intensifica a velocidade das mudanças causadas pelo desenvolvimento tecnológico e que privilegia novas competências: competências intrinsecamente humanas.

Sou uma pessoa extremamente feminina. Expresso estereótipos da feminilidade no timbre de voz tranquilo e suave, em meus traços e trejeitos serenos.

Comecei a trabalhar aos 17 anos em uma empresa na indústria automobilística, setor que tradicionalmente está bem no extremo oposto do que represento. Fala-se grosso e alto, os gestos são acelerados e a expressão é tensa. Nesse ambiente voz mansa, andar tranquilo e expressão serena não são válidos. Não "impõem" respeito.

Apesar de ter clareza sobre isso, eu não queria ser do jeito "certo", o oposto de mim. Nunca interpretei empatia, sensibilidade, delicadeza e serenidade como sinônimos de fraqueza ou de fragilidade.

Aos 20 anos deixei a indústria em busca de oportunidades que estavam mais alinhadas com meus objetivos profissionais. Anos mais tarde, ao longo de uma jornada de autoconhecimento e  reconexão com a minha essência, reconheci e acolhi minha feminilidade.

Ao fazê-lo descobri uma das fontes mais profundas de força. O feminino que habita em mim é essencial para eu viver e expressar meus valores e propósito de maneira autêntica.

Hoje fico surpresa e feliz ao perceber que valores e habilidades tradicionalmente considerados femininos e negados no mercado de trabalho, ironicamente estão sendo cada vez mais valorizados. 

O que chamo de valores e habilidades femininos? Por exemplo, acredita-se que mulheres lidam melhor com as próprias emoções e com as dos outros (autogestão), se expressam melhor (comunicação), acolhem e permitem serem acolhidas, estão mais propícias a se compadecerem e a ajudarem diante da dor e do sofrimento alheio (empatia e compaixão), se articulam melhor em grupo (colaboração), gerenciam melhor o tempo, tipo trabalhar e cuidar da casa (produtividade), são boas intermediadoras de conflitos, afinal elas "conquistam tudo com jeitinho" (negociação), e na teoria são mais criativas e lidam melhor com o estresse.

Todos os valores e habilidades mencionados são qualidades que  estão carregadas de preconceito e estereótipo. Culturalmente floresciam na vida doméstica e em interações sociais não profissionais. Essa perspectiva aos poucos foi alterada por meio da divulgação de resultados de  pesquisas sobre comportamento, com o crescimento do mercado de desenvolvimento humano e coach empresarial, bem como com mudança nas estruturas organizacionais, que passaram a valorizar as soft skills (habilidades comportamentais que complementam as técnicas, conhecidas como hard skills).

Apesar de sermos estimulados a incorporar e transmitir a ideia de que tais valores e habilidades são femininos, a realidade é que pesquisas sobre comportamento indicam que mulheres e homens têm a mesma capacidade e potencial de desenvolver habilidades como empatia, compaixão, autogestão, comunicação dentre outras.

O valor do feminino 


Fiquei encantada com a campanha O Valor do Feminino, da Molico, veiculada em 2016, que fala exatamente sobre isso. No site da campanha há um texto, que diz: "O feminino é uma série de valores que despertam nosso lado mais humano. Valores que estão presentes em todos nós: homens e mulheres".

‎É nisso que acredito, valores ou habilidades culturalmente reconhecidos como femininos, na realidade são humanos. E parte da missão da Pessoa Melhor é ajudar cada vez mais pessoas a cultivá-los. Sim, como diz nosso manifesto, por mais ingenuo que soe, acreditamos em pessoas e acreditamos que pessoas criam um mundo melhor. Cultivando valores e habilidades femininos (ou melhor, humanos) cumprimos esse papel.

Acolher o feminino


‎Mais que valores e habilidades femininos, são humanos e essenciais Há algum tempo dizem por aí que o futuro é feminino. Sim, o futuro que estamos construindo agora é feminino, não apenas porque teremos mais mulheres em cargos de poder, mas por causa da transformação digital. Um movimento que intensifica a velocidade das mudanças causadas pelo desenvolvimento tecnológico e que privilegia novas competências: competências intrinsecamente humanas. 

Por mais contraditório que pareça, a humanidade pode ganhar força num cenário ultratecnológico.

Beijo
Aline :)

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