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O que é perdão, por que e como perdoar quem nos feriu

Educação Emocional

Perdão independe da atitude do outro e, principalmente, não é algo que você faz por quem te feriu. Perdão tem a ver com aceitar a realidade do que aconteceu e encontrar uma maneira de viver em paz com isso. Liberta-nos do sentimento de que o outro nos deve algo. Aprenda a perdoar.

Prepare-se, por mais amável e encantadora que uma pessoa seja, em algum momento ela irá te ferir. Isso ocorrerá porque ainda que de forma inconsciente você deposita expectativas sobre ela. Quem não?

Além disso, é possível que não esteja disponível no momento em que você mais precisar do apoio dela, traia a sua confiança ou te magoe por meio de ações e palavras.

Fato é que exercemos algum controle sobre as nossas expectativas, mas não sobre as atitudes dos outros. Aí, cabe refletir acerca de: o que fazer quando nos sentimos feridos de forma intencional ou não?

Diante do sofrimento causado pelo outro, ficamos ressentidos. A nossa mente começa a elencar de forma brilhante inúmeras razões para justificar o nosso anseio de não perdoar a atitude e, em casos mais extremos, para justificar uma possível vingança.

A realidade é que, após o fato ocorrido, a experiência causada por alguém que nos feriu não é mais do que um pensamentou ou sentimento que decidimos nutrir e carregar conosco.

Uma escolha mais prejudicial para nós do que para quem nos feriu. Como esclarecido na seguinte citação atribuída à Buda: "ressentimento é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra".

Razões para perdoar

Por mais motivos que a gente encontre e repita mentalmente a si mesmo para não perdoar, nenhum supera as razões para perdoar. Melhor, a única razão: nossa saúde emocional. Conversamos sobre esse tema em Desenvolva saúde emocional com 13 práticas.

O ressentimento não vale a pena porque interfere na nossa capacidade de realização, pois drena energia mental. Afinal, ele é nutrido pela ruminação que funciona como uma fábrica de emoções negativas.

Com isso prejudica os nossos relacionamentos interpessoais e afeta a nossa saúde física. Pode tornar-se gatilho para a manifestação de doenças como hipertensão e depressão. Ou seja, é um efetivo processo de autossabotagem.

O que é e o que não é perdão

Quando acreditamos que o perdão só é possível a partir de uma atitude do outro (um pedido formal de desculpa), concedemos a ele controle sobre o nosso equilíbrio emocional e bem-estar. Caso a pessoa não faça o que desejamos para perdoá-la, seguimos carregando o fardo do ressentimento ao longo da vida. Dentro dessa perspectiva, somente ela pode nos libertar do sofrimento. 

Mas perdão independe da atitude do outro e, principalmente, não é algo que você faz por quem te feriu. Perdão tem a ver com aceitar a realidade do que aconteceu e encontrar uma maneira de viver em paz com isso. Liberta-nos do sentimento de que o outro nos deve algo.


"Meu amor não se esqueça. O perdão é remédio para a sua cabeça." Trecho da música Ciranda, de Dois é Par.

Por isso o perdão é possível até mesmo em casos extremos de violência, como quando familiares de vítimas de assassinato perdoam o autor do crime.

Mas não se engane, perdão não quer dizer:

  • reconciliar-se com a pessoa;
  • negar suas atitudes ou fingir que nada aconteceu;
  • permitir que a pessoa continue a praticar o mesmo comportamento;
  • que não haverá consequências para o comportamento;
  • que o sofrimento causado irá embora em um passe de mágica. É fundamental respeitar o tempo de cada um para que o sofrimento realmente seja "curado".


Perdão conversa com a ideia de reconhecer o próprio sofrimento e o erro do outro, mas não apegar-se a eles.

Uma curiosidade que talvez não saiba é que apenas somos capazes de perdoar o outro quando estamos aptos a perdoarmos a nós mesmos. Há pessoas que têm mais ressentimento por si do que pelo outro.

Reconhecer esse comportamento e reconfigurá-lo não é uma tarefa simples, mas é possível por meio da prática da autocompaixão. Inclusive ela também já foi pauta por aqui em Exercite a mentalidade de crescimento praticando autocompaixão.

Autocompaixão: aprenda a perdoar-se para perdoar

A autocompaixão é o ato de, diante de falhas ou de algo que não deu certo, tratarmos a nós mesmos de forma gentil e compreensiva, como um amigo querido. Pessoas com alto nível de autocompaixão apresentam três comportamentos:

  1. são gentis em vez de julgadoras sobre as próprias falhas e erros;
  2. reconhecem que falhas são uma experiência humana compartilhada;
  3. adotam uma abordagem equilibrada das emoções negativas - permitem sentir-se mal, mas não deixam as emoções negativas assumirem o controle.

    A dificuldade de perdoar-se pode se transformar em uma prisão mental e emocional, na qual as grades são os sentimentos de culpa e de arrependimento.Todos já adotamos alguma atitude da qual nos arrependemos.

    A realidade é que somos seres humanos imperfeitos e cometemos erros. Isso não nos torna pessoas más, apenas humanos. A autocompaixão pode nos ajudar a reconhecer nossa natureza falha e a aprender com ela.

    Essa mentalidade não nos dá passe livre para nos tornarmos negligentes com os próprios erros. Caso esteja sofrendo por alguma atitude que teve e não consegue se perdoar, reflita se pode fazer algo para corrigir o erro. Por exemplo, se optar por desculpar-se formalmente, faça sem o objetivo de receber o perdão ou a aprovação do outro.

    Agora que entendemos que precisamos aprender a perdoar a nós mesmos, vem o grande desafio: perdoar o outro.

E aí, como perdoar?

Embora eu compartilhe um passo a passo, o processo de perdão não é exatamente linear e universal. Cada pessoa pode incorporá-lo de uma forma muito singular.

Por isso, reforço: não se prenda às etapas caso não se sinta confortável com alguma delas. A intenção, sempre, é ajudá-lo. Mas antes de tudo, o que conversamos aqui tem que fazer sentido para você.

Vamos ao passo a passo?

  1. Escreva: anote o nome da pessoa que precisa perdoar e por que deseja perdoá-la. "Sei que preciso, mas não quero perdoá-la. Como faz?". Acontece. Bora para o passo seguinte.
  2. Reflita: escreva, grave um vídeo ou áudio expressando para si mesmo por que você está ressentido. Em seguida, reconheça o sofrimento causado pela falta do perdão (da sua parte) e como isso impacta a sua vida. Isso é mais doloroso do que o sofrimento causado pela falta do perdão? Esse processo pode ajudá-lo a identificar uma razão genuína para desejar perdoá-lo, como retomar a paz à sua vida.
  3. Perdoe: expresse seu perdão por meio da redação de uma carta, gravação de vídeo ou áudio. Comunique à pessoa que a perdoou pessoalmente ou por meio do envio de um email, telefonema, aplicativo de mensagens. Mas lembre-se de não se apegar ao resultado, já que isso é sobre você. Não crie expectativas sobre nenhuma atitude do outro.
  4. Esteja aberto: Pode ser que nesse processo o outro perceba que houve um mal entendido e diante do seu perdão decida esclarecê-lo. Seja receptivo. Esteja com um coração disposto para entender as motivações dele.
  5. Aprenda a lição: O que você pode aprender com essa situação? Há algo de positivo que pode ser aproveitado dessa experiência? Quais lições a outra pessoa pode ter aprendido?
  6. Deixe ir: liberte-se de qualquer expectativa em relação às pessoas. Isso inclui expectativa da mudança no comportamento do outro. Perdão não significa aceitar o comportamento inaceitável. Caso a mudança no comportamento seja algo imprescindível e o outro não está disposto a mudar por si mesmo, a melhor alternativa pode ser cortar os laços. E está tudo bem. Diante disso, de quais expectativas você se liberta?
  7. Expresse luto: respeite seu tempo para deixar de sentir-se mal em relação à essa situação.
  8. Crie escudos: apesar de fazer esse processo, é possível que você seja visitado por padrões de pensamento que reativam sentimentos negativos em relação ao outro. Por isso, crie um plano de ação para retirar sua atenção desses pensamentos. Isso não quer dizer que você negará o que está sentindo, apenas não dedicará atenção a isso. Reconheça e deixe os pensamentos e sentimentos seguirem. Por exemplo, escreva o que dirá a si mesmo quando esses pensamentos te visitarem. Assim você evita alimentar a temerosa ruminação.

BÔNUS

Além desse passo a passo, vou compartilhar com você três dicas que podem ajudar MUITO a convivermos  de forma mais harmônica e saudável uns com os outros.

Escolha ser gentil ao invés de estar certo: existe um citação atribuída à Lao-Tzu, que diz algo como: trate quem te feriu com gentileza sincera; ou a hostilidade nunca se tornará boa vontade. E é isso aí. Se tratamos quem nos feriu "pagando com a mesma moeda", apenas retroalimentamos um ciclo vicioso negativo. Seja a pessoa corajosa que escolherá a gentileza e não estimulará esse ciclo.

Pare de buscar razões para sentir-se ofendido: o sentimento de ofensa decorre do julgamento de uma ação do outro: pensamos que o que ele fez foi estúpido, agressivo, arrogante, insensível... a lista é infinita. Com base nesse julgamento, escolhemos acreditar que temos o direito de nos sentirmos ofendidos. Reconheça o pensamento e deixe ele partir. Ao nos apegarmos a esse julgamento tendemos a ruminar sobre a atitude do outro que nos feriu, buscando justificativas para fomentar o nosso ressentimento por ele. Um processo tóxico que nos mantêm presos a sentimentos negativos e que não nos ajuda a resolver a situação.

Viva no presente: você deve estar cansado de eu falar sobre isso. Desculpa, vou continuar falando rs. Se não ficou claro no tópico anterior, esclareço: a ruminação e o ressentimento são sinônimos de apego a um evento passado. Pois para que ambos se manifestem você tem que manter a lembrança do que aconteceu no presente. Não é novidade, mas é sempre bom lembrar que em essência passado e futuro não existem. O que existe é presente, que é onde a gente constrói ambos: as memórias e a vida que sonhamos. Ao invés de tentar mudar algo no passado, que não pode ser alterado, foque em cultivar a vida que deseja construir: seu futuro passado e futuro futuro. Confuso?

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Linguagens de desculpas

O conhecimento que compartilhei aqui pode ser utilizado para perdoar a si mesmo, perdoar o outro e, até mesmo, para pedir perdão. Mas pode ser que nesse processo,  a gente ou o outro encontre barreiras para verdadeiramente perdoarmos. Essas barreiras podem estar relacionadas às linguagens de desculpas. Conhece?

Cada pessoa tem um checklist, ainda que inconsciente, do que significa desculpar-se. Assim, para algumas pessoas apenas a expressão do arrependimento basta,  para outras é essencial que o pedido seja feito com uma clara aceitação da responsabilidade pelo erro ou de atitudes que de certa forma compensem o erro. O desconhecimento da linguagem de desculpa do seu interlocutor pode ser um fator limitante no processo de perdão. É preciso ficar atento a esse detalhe essencial.

Conversamos mais sobre perdão e sobre as linguagens de desculpas no A.MA.BI.LI.DA.DE. No workshop aprendemos a criar relacionamentos interpessoais com mais qualidade e, para isso, é essencial compreendermos como o processo de perdão e desculpa ocorre de forma honesta e verdadeira para cada um.

Lembrou de alguém que precisa perdoar? Bora fazer isso!

Beijo :)
Aline

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