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Lost: às vezes a gente precisa se perder para se encontrar

Respiro

Assisitiu a série Lost? Já parou para pensar que os personagens não estão perdidos apenas na ilha? Talvez a principal função da ilha seja simbolizar como eles estão perdidos em si mesmos. Sim, nesta conversa tem spoiler da moral da história.

Sim, estou atrasada, e muito. A febre Lost passou e só agora entendi o motivo de ela ter existido.

O piloto da série foi exibido em 24 de setembro de 2004. De forma despretensiosa, coincidentemente  terminei de assistir todas as seis temporadas em  setembro de 2016.

Apesar de gostar de ficção científica, Lost não chamou minha atenção na época do lançamento e nem nos anos seguintes.

Pois é, após assistir a série cheguei à conclusão de que I was supposed to watch Lost (entendedores entenderão) em setembro de 2016.

Ouso dizer que caso não tenha assistido, talvez este seja o seu momento de assistir. Se não assistiu é melhor parar por aqui e só voltar após terminar a série, pois o melhor desta conversa é o spoiler sobre a moral da história.

Lost in Lost, uma breve contextualização

De forma sucinta, Lost conta a história de um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo, que ficam perdidos em uma ilha.

O ritmo da série é sensacional! O que parece contribuir para isso é exatamente tudo o que a torna confusa. Além das cenas de ação, claro!, que injetam adrenalina no espectador.

Quando falo dos aspectos que tornam a série confusa, me refiro ao mistério em torno da vida dos personagens, do monstro de fumaça, da Dharma Iniciative, da viagem no tempo, da mitologia da ilha e do misticismo que envolve a história. As diversas interrogações que compõem Lost instigam nossa sede pela descoberta. E é aí que a curiosidade humana entra  em cena e nos move no decorrer dos episódios e das temporadas. Queremos, precisamos de respostas.

Durante toda a série me senti perdida como os personagens, sem entender o que estava acontecendo. Cada episódio me deixava mais convicta de que no final das contas não seria humanamente possível para os roteiristas construírem uma explicação plausível, que conectasse todos os acontecimentos. Na minha humilde opinião, foi assim que aconteceu. A série terminou com várias questões abertas ou mal explicadas.

Expectativa e realidade: ficção científica versus misticismo

Após assistir o episódio final, meu sentimento foi de frustração. Fiquei frustrada com as disputas entre bem e mal representados por Jacob e seu irmão, e entre fé e ciência, por sua vez, representadas por Locke e Jack. Tudo me pareceu simplista demais, no sentido de mais do mesmo, diante dos mistérios da ilha.

Acredito que a frustração foi mais intensa porque  realmente esperava  menos misticismo e mais ficção científica. Para desavisados, como eu, é importante ressaltar que a narrativa é intrinsecamente mística. Ao fazer esse questionamento comecei a refletir se é possível pensar ficção científica sem uma boa dose de misticismo. Polêmico?!

Embora eu tenha captado pistas ao longo da série, os mistérios e conflitos não resolvidos desviaram minha atenção dificultando a compreensão da moral da história no episódio final. Foi somente após ler alguns textos em grupos de discussão que consegui conectar as pistas e entender a tal grandiosidade de Lost, que não havia captado no último episódio pois estava focada nos mistérios não resolvidos.

Lost é uma série sobre autoconhecimento e redenção, que tem como fio condutor a jornada dos personagens e os mistérios da ilha como pano de fundo. Tcharam!

A moral da história: perder-se para se encontrar

Não precisa ser muito esperto para perceber ao longo das seis temporadas de Lost que a série não é apenas sobre uma ilha misteriosa, mas especialmente sobre os personagens que estão nela.

Ainda na primeira temporada as cenas em flashback revelam que todos personagens são imperfeitos e precisam resolver determinadas questões pessoais. E no decorrer da série fica cada vez mais clara a busca pela autoaceitação e redenção.

Os personagens não estão perdidos apenas na ilha. Talvez sua principal função seja simbolizar como eles estão perdidos em si mesmos.  Como mencionado pelo pai de Jack, no último episódio da série, todos precisavam daquela experiência e uns dos outros “to remember and to let go”. Foi na ilha que eles tiveram que encarar seus monstros, lidar com as questões que os atormentavam para, enfim, se libertarem e seguirem adiante.

A ideia em torno de “moving on” não é esclarecida pelos roteiristas. Por exemplo, eles não evideciam se os personagens foram para o paraíso, outra dimensão, se reencarnaram etc. Mas isso realmente não faz diferença, prefiro acreditar que cada um conseguiu lidar consigo e se tornou uma pessoa melhor – que é o que a gente busca aqui.

E, no final das contas, a grande lição é que às vezes realmente precisamos nos perder ou levar um chacoalhão da vida para nos encontrarmos. Quem se esforça para captar a essência de Lost passa a interpretar a série como material de reflexão sobre a vida.

Lost não está no topo do ranking das minhas séries preferidas, mas com certeza merece o reconhecimento que conquistou.

Provavelmente, eu não estaria preparada para fazer tal reflexão se tivesse assistido Lost em 2004. Sou feliz e grata por tê-la feito agora!

E aí, assistiu Lost? Tem uma percepção diferente da série? Compartilhe comigo!
Beijo :)
Aline

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