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Lifelong learning e educação emocional para fluirmos na transformação digital

Educação Emocional

Tudo muda o tempo todo e cada vez mais rápido. Para não entrar em pânico nesse contexto, entenda como a postura de eterno aprendedor e a educação emocional podem tornar a transformação digital uma experiência mais leve. 

Estou professora universitária, responsável por disciplinas no sétimo e oitavo período em um curso de graduação. Ou seja, recebo em sala de aula jovens e adultos que estão prestes a concluir o curso. O que mais me chama atenção no nosso encontro é o alto nível de ansiedade em relação ao mercado de trabalho - sentimento super compreensível.

No entanto, percebo que a causa da ansiedade é equivocada. O principal receio dos alunos é a existência ou não de empregos no "formato tradicional" das profissões, com cargos e carreiras como conhecemos. Afinal, foram treinados para isso. E é aí que reside o equívoco.

Caso ninguém tenha te contado, estamos à caminho de uma mudança de Era. Sim, você leu direitinho. Estamos migrando da Era Industrial para a Era Digital. Por isso, há razão para nos sentirmos ansiosos em relação ao mercado de trabalho, mas não apenas pelas vagas de emprego dentro do modelo tradicional. Para entender o que realmente está ocorrendo, é urgente observar o cenário atual em perspectiva.

O mercado está constantemente se reconfigurando, mas as mudanças que estamos vivendo ocorrem de forma mais profunda e em uma velocidade mais rápida. Isso porque há um novo modo de operar sendo conformado pela chamada transformação digital.

Embora o termo seja badalado entre quem trabalha com inovação, empresas na área de tecnologia e gigantes do mercado, ainda não conversa com muitos alunos de graduação e, acredito, menos ainda com pessoas comuns que já "concluíram os estudos" e estão por aí vivendo suas vidas tranquilamente. Talvez você que está lendo este post.

Nesta conversa explico o que é essa tal transformação digital, como ela afeta a nossa vida - especialmente no que se refere ao trabalho, e de que maneira o lifelong learning e a educação emocional podem tornar a adaptação à esse contexto mais leve.

O que é transformação digital?

Futuristas apontam que a humanidade viveu a transição da Era Agrícola para a Era industrial e que estamos exatamente em meio a transição para a Era digital. Em cada Era operamos com um modo de pensar, a transformação digital seria o processo de adotar uma mentalidade de acordo com o contexto atual. Confuso?

Não estamos vivendo uma era de mudanças.Estamos vivendo uma mudança de era. Tiago Matos

Em um primeiro momento podemos chegar à conclusão de que isso tem a ver com desenvolvimento tecnológico. Afinal, ontem utilizávamos telefones com fichas e hoje praticamento nossa vida cabe em um smartphone. Um pensamento super coerente.

A transformação digital se caracteriza pelo aumento na velocidade com que o desenvolvimento tecnológico ocorre. Essa história de que tudo muda cada vez mais rápido, sabe? Comprovada pelo lançamento de um novo smartphone com tecnologia superior ao anterior em um menor período.

Mas a essência dessa transformação não é tecnológica, e é isso o que David L. Rogers deixa claro no livro Transformação Digital: repensando o seu negócio para a era digital. Segundo Rogers, "a transformação digital não tem a ver com tecnologia - tem a ver com estratégia e novas maneiras de pensar. Transformar-se para a era digital exige que o negócio atualize sua mentalidade estratégica muito mais que sua infraestrutura de TI".

A capa desse livro é lindeza demais e o conteúdo essencial para quem quiser entender sobre a lógica de funcionamento dos  negócios  na transformação digital
As palavras de Rogers podem soar contraditórias diante da minha explicação anterior, mas calma que explico para você. Como o livro foi escrito para empreendedores, a ideia é deixar bem claro que transformação digital não é sinônimo de digitalização. Você pode ter uma empresa com todos os processos tecnicamente ocorrendo no digital e simultaneamente manter um time operando na lógica industrial.

Como assim?

Isso quer dizer que já estamos em um contexto exponencial, mas trabalhando com o pensamento linear da era industrial. Como se colocassem um software antiguinho rodando em um hardware mais modernoso. Sabemos que não rola, mesmo. Vai dar ruim.

No industrial a lógica era pensamento linear, segmentado, repetitivo e previsível (bem nos moldes das fábricas e da escola - inclusive dos cursos no ensino superior). Já a Era digital demanda um pensamento não linear, conectado, multidisciplinar e exponencialmente imprevisível. Ou seja, Rogers alerta que o mais importante na transformação digital é a mudança de mentalidade. Assim, para além de investir em tecnologia precisamos desenvolver competências em pessoas coerentes com o atual contexto. Entende?

Caso não, me chama pra conversar nos comentários porque esse é um conceito mega importante para você extrair o melhor deste conteúdo.

O futuro é mais humano do que você imagina

Não somos apenas Rogers e eu falando isso. Em 2016, o Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum) divulgou um relatório sobre o futuro do trabalho, que conta com uma lista das competências essenciais que os profissionais deveriam desenvolver até 2020, para desempenharem melhor no contexto da transformação digital.

As competências listadas no relatório são:

 1.Resolução de problemas complexos
2.Pensamento crítico
3.Criatividade
4.Liderança e gestão de pessoas
5.Trabalho em equipe
6.Inteligência emocional
7.Julgamento e tomada de decisão
8.Orientação a serviços
9.Negociação
10.Flexibilidade cognitiva


Tais competências não foram elencadas de forma aleatória. Percebeu que tudo aí na listinha tem a ver com pessoas? Com habilidades que apenas gente de carne e osso possui? Pois é, cada vez mais ocupações serão automatizadas.  Inclusive, Elon Musk, o empreendedor que prometeu fazer a primeira viagem comercial para o espaço (me leva, nunca te pedi nada ),  disse que no futuro os governos precisarão pagar salários para boa parte da população porque um montão de gente vai ficar "obsoleta" por conta da automatização de diversas atividades.

E, segundo Ray Kurzweil, um dos principais futuristas da atualidade, até 2029 iremos passar por mais uma grande revolução causada por três áreas conhecidas pela sigla GNR (Genetic, Nanotech e Robotic).  Nem preciso dizer que muita coisa vai mudar.

O que a gente faz com essa informação? Senta e chora? Jamais! Um pouquinho, talvez. Afinal, aqui não rola reprimir emoção, certo?

Mas depois que sentir tristeza, de verdade, minha sugestão é que adote uma postura propositiva, bem no estilo de pensar alternativas para lidar com esse contexto que está acontecendo a gente queira ou não.

Como disse, nesse rolê de automatização da vida (inclusive de ocupações), por ora as competências que nos tornam humanos são um diferencial em relação às máquinas. Então o caminho mais lógico é investir nisso.

A questão é que nem todas as universidades e empresas estão preparadas para dar esse suporte para a gente, mas há muitas pessoas maravilhosas trabalhando com esses temas por aí por meio de cursos livres. Basta buscar informação e comprometer-se com o próprio autodesenvolvimento. #autorresponsabilidade

Como, Aline?

Vou aproveitar essa conversa para apresentar para você um termo que AMO: lifelong learning. Conhece? Caso não, bora conhecer pois é mais importante do que o seu diploma.

Lifelong learning: aprendizado ao longo da vida

Assim como uma galera, sou uma lifelong learner genuína; ou seja, uma constante aprendedora. Talvez você seja também e nem saiba :)

Geralmente traduzido como educação continuada, a Wikipédia defini o termo como todas as atividades de aprendizagem realizadas ao longo da vida, com o objetivo de adquirir mais conhecimento, melhorar habilidades e competências numa perspectiva pessoal, cívica, social e/ou relacionada ao trabalho.

Para mim, o conceito tem tudo a ver com a atitude de continuamente estar disposto a aprender. Esse aprendizado pode ser por um meio formal ou não, pois quando a gente está aberto ele ocorre em uma conversa casual no bar.

Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não souberem ler e escrever. Mas todos que não souberem aprender a desaprender para, então, reaprender. Alvin Toffler

Não quero confundir sua cabeça, pois esse conversa aqui tem um mega potencial de causar confusão (já que apresento termos e ideias que são novidade para muita gente), mas preciso dizer. Tornar-se um lifelong learner é uma boa alternativa no contexto da transformação digital não apenas para desenvolver as competências listadas pelo Fórum Econômico Mundial.

Como mencionei, a tendência é de que tudo mude de forma mais dinâmica e em um menor período de tempo. Dessa forma, quem conseguir se adaptar mais rápido terá vantagem (Darwin aplaude). Super dói escrever isso, mas estou sendo prática e objetiva com você. Ah! E antes que esqueça, adotar uma postura  lifelong learner vai nos ajudar a cultivar autonomia.

Não vamos ter mais empregos, o mundo será freelancer ou empreendedor e vamos exercer muitas atividades diferentes ao longo da vida. As lideranças serão rotativas e circunstanciais. Tiago Matos

Por que autonomia importa? Porque cada vez mais atuaremos como profissionais freelance. Em outras palavras, como prestadores de serviços em vez de empregados. A revista Você S/A até abordou essa pauta com uma capa bem enfática que tem o seguinte título: Com trabalho e sem emprego.


Não falo isso para assustá-lo, ou porque queira você mal, juro. É apenas a realidade, e por mais que discorde, é emocionalmente saudável e maduro aprender a lidar com ela. Concorda?

Educação emocional para fluirmos com as mudanças

Falando em emoções. Caso não tenha percebido, depois dessa conversa você entendeu que o mundo está mudando. Afinal, sempre está. A diferença é que a mudança ocorre cada vez mais rápido. Difícil não ficar ansioso com essa informação, certo?

Você provavelmente já se sente super sobrecarregado com o grande volume de informações e tarefas a cumprir. Livros não lidos (eu!), séries não assistidas e objetivos não realizados. Por isso, caso alguém me pergunte qual competência desenvolver primeiro diante desse cenário, sem desmerecer as demais áreas e buscar favorecer a minha, com certeza diria inteligência emocional (também incluída na lista do Fórum Econômico Mundial).

Por quê?

Porque acredito que a educação emocional não vai apenas nos capacitar para lidar com as relações interpessoais em um novo contexto de trabalho. Ela ajuda especialmente a lidar conosco em primeiro nível para não, literalmente, surtarmos diante de tantas demandas.

A educação emocional pode nos auxiliar a cultivar maturidade essencial para gerenciar com equilíbrio e serenidade o caráter impermanente e as adversidades da vida - cada vez mais presentes no contexto da transformação digital.

Quando somos emocionalmente equilibrados e maduros conseguimos observar cenários caóticos com mais clareza e tomar decisões práticas e objetivas. Evitamos nos perder em meio à afobação causada pela ansiedade de pensar "ok, o mundo está mudando, logo tenho que...".

Ao aprender a lidar com nossas emoções e sentimentos, nos tornamos mais resilientes às mudanças. Conseguimos criar espaço para respirar, analisar o que está ocorrendo e decidir sobre qual caminho seguir. O caminho que, simultaneamente, conversa com o que o mundo quer e o que faz sentido para a gente.

Do contrário, entramos na neura de apenas fazer o que o mundo, vulgo mercado, demanda - um movimento que não vibra internamente e, por isso, perde o fôlego rápido - o que pode causar complicações na saúde física, mental e emocional.

Diante desse contexto, minha dica é: foca em desenvolver a linguagem dos afetos (das emoções e dos sentimentos) e adotar uma postura de eterno aprendedor. Esse será seu melhor diferencial em meio um cenário cada vez mais incerto - inclusive um diferencial mais importante do que seu título, e com certeza tornará sua jornada mais leve.
Beijo :)
Aline

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