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Gratidão: por que devo aderir à onda?

A onda de gratidão que invadiu nosso cotidiano, especialmente nas redes sociais, deu origem a pelo menos três grupos de pessoas.
O primeiro formado por pessoas que aderiram à onda, o segundo pelas que começaram a repudiar o termo devido sua “banalização”, e o terceiro por quem simplesmente não se deu conta do que está acontecendo.


Identifica-se com algum grupo?

O burburinho em torno da gratidão não tem a ver apenas com o retorno da florzinha do Facebook. Há algum tempo a expressão desse sentimento está nos rondando de maneira mais recorrente.


Essa percepção me levou à buscar entender o que contribuiu para tornar a gratidão mais presente nas nossas interações.


Afinal, em meio aos diversos sentimentos que permeiam o cotidiano, por que ser grato se tornou tão popular?


De onde vem, de quê se alimenta e como se reproduz?


De acordo com o dicionário Priberam, gratidão pode ser definida como o “sentimento de lembrança e agradecimento por um bem recebido, em relação ao autor”. Ou seja, é o ato de reconhecer o bem feito por outra pessoa.


Mas ela não se limita à isso.


No TED Talk “Want to be happy? Be grateful” (Quer ser feliz? Seja grato), o monge David Steindl-Rast chama atenção para a maneira como lidamos com os acontecimentos e, de modo mais abrangente, para nossa postura em relação à vida.  


Não são as pessoas felizes que são gratas, mas sim as pessoas gratas que são felizes. (David Steindl-Rast)


O monge explica que a gratidão ocorre tanto quando reconhecemos o bem recebido, quanto na percepção de aspectos singelos que compõem nosso dia a dia como acordar pela manhã e estar vivo. Essa postura é um dos motivos que coloca em vantagem nos índices de felicidade, pessoas que vivem na situação de miséria em relação às que têm abundância de bens materiais. 


Além disso, estudos realizados por pesquisadores da psicologia positiva podem ter contribuído para o aumento da conversa em torno da gratidão. Pois, embora os resultados de pesquisas não possam provar uma relação de causa e efeito, eles evidenciam vínculos entre a prática da gratidão e o aumento do bem-estar.


No anseio de descobrirem como a mentalidade grata nos afeta, os pesquisadores Robert A. Emmons e  Michael E. McCullough realizaram um estudo, no qual pediram para três grupos de pessoas escreverem algumas frases durante dez semanas.


Um grupo escreveu sobre o que estavam gratos, outro sobre irritações diárias ou acontecimentos que os desagradaram, e o último registrou eventos que os afetaram – sem a orientação de enfatizarem aspectos positivos ou negativos.


Após as dez semanas foi verificado que as pessoas que escreveram sobre gratidão estavam mais otimistas e sentiram-se melhores sobre suas vidas. Elas também se exercitaram  mais, e realizaram menos visitas ao médico do que as pessoas que se concentraram em aspectos negativos.

De modo geral, o resultado sugere que a gratidão é um estado mental a ser cultivado, considerado que ela pode influenciar positivamente nosso nível de satisfação com a vida.


Tal suposição é compreensível, especialmente se considerarmos que a atitude grata nos ajuda a reconhecer o que experienciamos de bom no presente. Isso aumenta nossa sensação de contentamento, nos torna menos pessimistas em relação ao passado e ansiosos pelo que ainda desejamos conquistar.


Em resumo, a gratidão pode favorecer nosso equilíbrio emocional e, ainda, melhorar nossas relações interpessoais. Pois por meio da valorização das atitudes das pessoas ao nosso redor exercitamos o olhar para enxergar o melhor no outro.


Como desenvolver gratidão?

No livro Felicidade autêntica: Usando a psicologia positiva para a realização permanente, o pesquisador Martin Seligman apresenta questionários que podem ajudar você a identificar seu nível de gratidão e satisfação com a vida.

Os testes, em inglês, estão disponíveis no site Authentic Happiness.

Além dos questionários, o livro conta com exercícios para desenvolver uma atitude mais grata. Para colocarmos a mão na massa aqui e agora, selecionei algumas maneiras criativas para expressar gratidão além do mural do Facebook:

  • Agradecer alguém mentalmente. Caso tenha dificuldade de verbalizar seu sentimento, mentalize e direcione o agradecimento à pessoa que manifestou a ação positiva.
  • Listar os acontecimentos pelos quais é grato. Estabeleça uma meta pessoal de listar, por exemplo, sete coisas pelas quais é grato no dia ou na semana. Você pode fazer isso durante sua rotina ou à noite antes de deitar-se.
  • Manter um diário ou blog pessoal. Se você tem habilidade ou deseja desenvolver a escrita, mantenha um diário ou blog pessoal para escrever de forma regular sobre os aspectos do dia a dia que o torna mais grato.


Eu AMO a sensação reconfortante de deitar sobre roupa de cama limpa, pisar descalço no tapetinho felpudo que fica ao lado da cama e sentir o aroma de café fresco pela manhã.

  • Criar um pote da gratidão. Você pode fazer seu próprio pote da gratidão. Para isso, basta higienizar um vidro, tipo esse da foto, ou outro recipiente de sua preferência. Personalize o pote com stickers, fitas adesivas decorativas, etc . O mais importante não é a cara que você dará ao pote, mas a disciplina para registrar os momentos pelos quais é grato e depositar nele.
  • Adotar práticas contemplativas. Você pode agradecer por sua vida, pelo alimento ou pela saúde na posição de lótus em um local silencioso, fazendo sua oração ou apenas ao contemplar a paisagem ao seu redor. Aprecie e agradeça.

Ainda em dúvida se adere à onda?

Para tornar-se mais grato não é preciso postar mensagens em seu mural no Facebook. Nem sair por aí abraçando árvores e agradecendo ao universo pelas belezas da natureza – o que recomendo fortemente. Pois mal não faz rs


Faça de modo privado, mas faça. Agradeça às pessoas mais próximas, com as quais se sente confortável, crie listas ou simplesmente mentalize seu agradecimento.

Não faltam alternativas.


E fica o alerta do monge Steindl-Rast, que diz que viver em gratidão não significa ser grato por tudo. Certamente não, devido às muitas mazelas que nos cercam.


A ideia por trás do conceito da vida em gratidão reside na mudança em nossa forma de interpretar os acontecimentos. Diante de algo difícil há sempre uma oportunidade de aprendizado.


Para não desperdiçarmos tais oportunidades e vivermos em gratidão, a regra é simples: “Pare. Olhe. Siga”. Com isso Steindl-Rast quer nos dizer que devemos ser mais conscientes sobre o presente e agradecer. Para ele, “um mundo grato é um mundo com pessoas felizes”.

Se ainda acredita que essa história de gratidão não é para você, indico que assista esta playlist de Ted Talks.  


Para começar a exercitar o que leu por aqui, conta pra mim: pelo que você é grato hoje? Utiliza alguma ferramenta ou técnica para desenvolver gratidão diferente das apresentadas?


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