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É possível construir relacionamentos (amorosos) maduros, desde o princípio?

Relacionamentos

Estaria eu sabotando a sua vida amorosa? Conversamos aqui sobre temas que nos ajudam a cultivar maturidade emocional e convivermos melhor uns com os outros. Mas será que a forma de se relacionar que estimulo com o que escrevo também vale para a fase em que buscamos fazer morada no coração de alguém?

Há algum tempo escrevendo sobre relacionamento interpessoal no @pessoamelhor, cheguei à conclusão de que muitas pessoas interpretam a palavra "relação" e "relacionamento" como sinônimos de relacionamentos amorosos.

Acho que é um pensamento natural na nossa cultura. Mas não era exatamente sobre isso que eu estava falando quando comecei a utilizar ambos os termos.

A ideia era, e ainda é, falar de relacionamentos de modo geral. Sobre a nossa conexão com o outro e os desafios da convivência em casa, na rua e no trabalho; especialmente porque é uma âncora para eu conversar sobre educação emocional e comunicação.

"hmmm então está errado eu aplicar o conhecimento que você compartilha no meu relacionamento amoroso, Aline?". Nāo. Na verdade, até minha mãe já me recomendou aconselhar casais rs. Outro dia ela disse o seguinte em uma conversa: "Isso que você fala ajudaria muitos casamentos, Aline". Não me arrisco pois esse tipo de relação tem suas singularidades.

Falo sobre habilidades de relacionamento que envolvem transparência, comunicação de emoções e sentimentos, conversas difíceis entre outros. Temas que nos ajudam a cultivar maturidade emocional e, consequentemente, relacionamentos mais harmônicos. 

Conteúdos que têm tudo a ver com desafios muito presentes nos relacionamentos a dois, do tipo namoro, noivado e casamento. Por conta disso, acredito que a iniciativa naturalmente atrai casais.

A conexão entre as palavras "relacionamento" e "relações" com o amor vivido a dois de forma "oficial" não é fonte de preocupação. Tal conexão começou a chamar a minha atenção quando percebi que estava sendo feita por solteiros.

Afinal, será que a forma de se relacionar que estimulo com o que escrevo também vale para a fase da conquista? Estaria eu sabotando a vida amorosa das pessoas? (risos de nervoso)

Embora não seja o meu foco no pessoamelhor.com, decidi abordar tal pauta com base nesse questionamento e inspirada pela leitura desse conteúdo, da Bruna Cosenza.

Como aplicar transparência, comunicação de emoções e sentimentos e a ideia de conversas difíceis em uma fase que "deve" ser marcada pela criação de emoções positivas?

E mais, uma fase que tanto a sabedoria popular quanto os coachs de relacionamentos (amorosos) dizem que as moças devem se fazer de difícil (ser um "desafio") e gerar "incerteza" nos rapazes. Uma ideia nada a ver com transparência. Tudo para mantê-los interessados por conta do seu "instinto caçador". #preguiça

Por isso, adotar alguns dos posicionamentos sobre os quais falo, poderia ser uma péssima alternativa para quem deseja fazer morada no coração alheio.

Mais empatia na conquista

Sim, tem muuuito machismo envolvido nessa história de "instinto caçador", a gente sabe. Mas não posso negar que essa ideia também é validada por uma herança evolutiva. Realmente a "incerteza" e o "desafio" podem gerar respostas emocionais que nutrem o interesse em algo ou alguém.

A nossa mente não curti informação pela metade. Tanto que a "falta de informaçāo" ou do "entendimento completo de algo" pode nos levar à obsessão. Um comportamento obsessivo por algo que parece um desafio e ou gera a sensação de incerteza. Mas apesar de reconhecer isso, me recuso à aceitar que as nossas relações precisam ser baseadas nessa dinâmica primitiva.

Como transborda empatia aqui (o que nem sempre é bom rs), acredito que rola muito substituir, ainda que na fase da conquista, "gatilhos emocionais" pré-históricos por maturidade emocional. Não é para isso que temos um cérebro com a massa cinzenta mais desenvolvida e polegares opositores?

Eu ficaria extremamente triste e decepcionada ao saber que alguém, por quem nutro algum interesse, utiliza gatilhos emocionais para me manter em estado de ansiedade. Sim, é isso que a "incerteza" e o "desafio" podem causar em alguém: ansiedade.

E já vivemos muito ansiosos driblando os nossos conflitos existenciais e desafios cotidianos para pagar boletos e conquistar objetivos, para adicionarmos um pouco mais de ansiedade aí - de forma intencional.

Além do mais, isso com certeza NÃO é um bom indicador de que gostamos de alguém. Afinal, queremos o bem de quem gostamos. Concorda?

Não busque garantias

Acredito que relacionamentos em geral, indiferentemente do estágio, não têm garantias. Falo isso porque pessoas emocionalmente saudáveis não se demoram em relacionamentos abusivos ou que "jogam" com as suas emoções.

Apesar de amar incondicionalmente alguém (um familiar, parceiro, amigo etc) - ou seja, de haver um sentimento positivo ainda que diante de atitudes negativas, elas podem sim decidir partir. Pessoas permanecem nesse tipo de situação quando há dependência financeira ou emocional.

O que verdadeiramente contribui para continuidade de uma relação entre duas pessoas, seja amorosa ou não, é a qualidade da relação.É a construção e o cultivo do relacionamento tijolinho por tijolinho.

Ou seja, acredito que, mesmo quando estamos sendo conquistados um pelo outro, o que mantém o interesse recíproco é a qualidade das interações. Que são evidenciadas inclusive diante de conflitos. Quando, em um desencontro, há o empenho de ambas as partes para resolvê-lo.

O "início" é quando estamos mais engajados para fazer algo funcionar: seja um projeto, uma relação pessoal ou profissional. É a mesma dinâmica de iniciar um emprego, sabe? Se não há empenho aí, não espere que ele apareça mais tarde. Dificilmente vai.

O normal é que com o tempo vamos perdendo o pique inicial e o trabalho será cultivar esse pique. Quantas projetos ou relações amorosas você já iniciou com extremo entusiasmado e depois foi perdendo o gás? Pois é. Inclusive, falo sobre o equívoco de perder o gás em uma relação ainda jovem em outro conteúdo no blog.

Então, fica tranquilo, não serão gatilhos emocionais que irão manter o interesse de alguém e transformar isso em uma relação de longo prazo. Especialmente em uma relação de qualidade. Mas, claro, você pode discordar de tuuudo que escrevi até aqui.

Embala a maturidade que eu vou ficar com ela

É uma postura controversa, mas suspeito que se aplicarmos (com a sabedoria que às vezes nos falta) a transparência, comunicação de emoções e sentimentos, e exercitarmos conversas difíceis nos nossos relacionamentos (amorosos) ainda que em uma fase tão delicada, há boas chances de transformarmos a dinâmica das relações desde o princípio. Tornar o processo da conquista mais maduro e menos primitivo. Inclusive, mais maduro "se não der certo".

Para mudarmos do modo primitivo para o maduro, é mais legal e saudável tanto para a gente quanto para o outro ser transparente sobre como nos sentimos. Então, dentro dessa perspectiva, pode comunicar emoções e sentimentos. Vulgo, "dar certeza" de que está interessado.

Até porque, como disse, não há necessidade de criar a sensação de desafio e incerteza no outro. Isso vale tanto para as moças quanto para os rapazes. Pois, se refletirmos de forma mais profunda, perceberemos que somos constantemente um desafio e uma incerteza uns para os outros. Se a relação deixar de ser legal, uma pessoa ou ambas as partes não vai querer permanecer. Simples assim.

Ao invés de focar em ser "incerteza" e "desafio", vale mais a pena focarmos em sermos uma pessoa íntegra (que demonstra coerência entre sentimento e atitude), que soma e que é uma boa companhia.Com isso, também praticamos a responsabilidade afetiva. Respeitamos as emoções e os sentimentos dos outros. Sem ansiedade.

Por fim, esse é o ponto mais arriscado e delicado, por isso, um dos mais importantes para mim. Ter conversas difíceis funciona como um teste de realidade da relação. Identificamos a DISPONIBILIDADE (mais do que habilidade ou competência), de ambas as partes lidarem com problemas e desencontros que, sim, em algum momento irão rolar. Afinal, nem só de emoções positivas se baseia uma relação e a vida.

Por mais compatível que a gente seja com alguém, sempre ocorrem desencontros. Somos humanos, lembra? E a disponibilidade para lidar com "problemas" pode sinalizar se vale a pena investir tempo e energia na fase da conquista e nas que podem surgir adiante.

Viajei muito nessa conversa? Qual a sua opinião sobre tudo isso?

Beijo :)

Aline

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