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Como lidar com a culpa de forma saudável

Educação Emocional

Já teve dificuldade de aceitar o resultado negativo de uma fala ou atitude? Isso pode ser culpa. O sentimento funciona como uma forma de autorregulação. É a nossa consciência nos corrigindo. A culpa é um sentimento saudável, o problema surge quando ela permanece por um longo período de tempo. Quando passa a nos martirizar. Ruminamos fatos, falas e atitudes. Não deixamos o sentimento cumprir o seu papel e seguir. Para retomarmos a nossa paz é preciso transformar culpa em responsabilidade. Sabe como?

Outro dia uma pessoa querida me perguntou sobre como lidar com a culpa. Devolvi a pergunta. Questionei, por quê? Escutei o seu relato de forma atenta e, em cada palavra, era possível sentir o sofrimento que ela carregava.

A culpa é o reconhecimento de que se fez algo errado: ferimos alguém ou causamos um problema que poderia ser evitado. É um sentimento saudável. Funciona como a nossa consciência nos corrigindo.

Mas quando não sabemos lidar com ela, pode transformar-se em gatilho para o desenvolvimento de hipersensibilidade, ansiedade e depressão.

É saudável sentir culpa diante do erro, mas apegar-se à ela é uma escolha. Uma escolha que pode ser muito prejudicial para a nossa vida, inclusive para os nossos relacionamentos.

O que é o sentimento de culpa?

Há algum tempo reparei que exagero nos pedidos de desculpa. Meu anseio de demonstrar "respeito" e de "não abusar do outro" é tão intenso que, às vezes, me desculpo sem razão: ou seja, sem ter cometido algo que justifique tal pedido. É automático. Como dizer "por favor" e "obrigada".

Acontece com você?

Em diversas situações, em que utilizo desculpa, sei que o mais adequado é dizer "sinto muito". A "desculpa" só é válida quando acreditamos que somos responsáveis por um dano causado ao outro.

Já "sinto muito" diz nas entrelinhas que lamentamos que o outro se sinta de certa forma, embora a gente não seja culpado por ele se sentir assim. Talvez uma fala ou comportamento nosso tenha sido um gatilho. Mas não justifica culpa.

A culpa pode ter diversas origens. Uma das mais comuns é a dificuldade de aceitar o resultado negativo de uma decisão ou atitude que causou algum dano para si e/ou para outras pessoas.

A culpa justificada não é ruim. Atua como um processo de autorregulação. Ela permite que a gente reavalie as nossas ações com base em valores mais nobres, que aprenda com os erros e amadureça.

O problema surge quando o remorso é prologado e gera sentimentos como vergonha e ressentimento. Torna-se uma resposta extrema a determinada situação.

A pessoa que sente culpa fica estagnada, atolada na situação da qual se arrepende. Ruminando acontecimentos, falas, ações. Imaginando diferentes cenários em que tudo teria sido diferente.

Essa tortura mental influencia o modo de pensar e de agir, e pode impactar diversas áreas da vida da pessoa: suas relações, trabalho, saúde física, mental e emocional, finanças etc.

Quem não transforma culpa em responsabilidade tem a tendência de reviver os mesmos erros. E como disse, pode desenvolver hipersensibilidade, ansiedade e depressão.

Como viver livre da culpa

A culpa apenas é superada quando transformada em responsabilidade. Assumir a responsabilidade por um erro nos capacita a corrigi-lo e aprender com ele.

Para transformar a culpa em responsabilidade podemos começar substituindo o pensamento:

"Queria poder retirar o que disse/fiz" por "Arrependo-me de ter dito/feito... Mas com isso aprendi que..." e "Eu fiz o melhor que eu pude dentro daquele contexto..."

A primeira frase deixa a pessoa estagnada. Na posição de ruminação que mencionei. Uma atitude muito prejudicial à saúde mental e emocional. Sabemos que o passado não pode ser alterado.

Logo, ficar preso em pensamentos baseados na ruminação, na esperança de mudar algo que já está feito, não resolverá. Apenas agravará o problema. A ruminação entorpece e paralisa, faz com que a pessoa pense de forma obsessiva em uma ferida que ela não permite curar.

Por isso, não foque no que deveria ter sido, sim no que é. Interprete a culpa como uma oportunidade de autodesenvolvimento. Entenda o motivo da culpa. O que o sentimento revela para você? Emoções são fontes de dados. A culpa indica um padrão de comportamento ou atitude que precisa ser mudado ou melhorado?

Ressignificado o pensamento sobre a culpa e reconhecida a sua origem, perdoe-se pelo erro e peça desculpa, sem rodeios e sem expectativas. Não tente justificar as suas ações ou culpar o outro, embora de repente acredite que ele também contribuiu com a situação. Apenas reconheça as emoções difíceis como a raiva, frustração e o sofrimento causados.

Resolva a culpa o mais rápido possível, pois posterga-la cultiva emoções nada saudáveis tanto em você quanto nos demais envolvidos.

Dito isso, é possível ressignificar a culpa em 6 passos:

  1. Substitua o pensamento de culpa por responsabilidade;
  2. Interprete a culpa como uma oportunidade de autodesenvolvimento;
  3. Identifique o que a culpa indica que pode ser mudado ou melhorado;
  4. Perdoe-se pelo erro;
  5. Tente reparar o erro cometido sem rodeios ou expectativas em relação a receptividade do outro,
  6. Feito isso, siga em frente.

Nem sempre é possível reparar completamente o dano causado. Mas o simples ato de reconhecer que uma fala ou atitude foi equivocada e buscar repara-las sem expectativas sobre a situação, retira o fardo da culpa. Um fardo que não vale a pena ser carregado em hipótese alguma.

Talvez, após realizar esse processo o outro não o desculpe e você não consiga reestabelecer ou manter a relação. Não temos controle sobre como cada pessoa sente.

Cada um tem o seu tempo para lidar com emoções e sentimentos, e é preciso respeita-lo. O importante aqui é fazer a nossa parte. Assumir a responsabilidade e seguir em frente.

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Compaixão e responsabilidade para superar a culpa

Ainda que a a sua atitude tenha sido muito grave, não puna a si mesmo. Somos todos passíveis ao erro. O importante é aprender com eles e não repetí-los.

É preciso olhar para os nossos erros com compaixão. Identificar como determinados comportamentos foram justificados dentro daquele contexto.

Como disse, a culpa pode nascer do arrependimento de falas e atitudes. De posicionamentos adotados sob forte emoção e em meio a situações conflituosas envolvendo mais pessoas.

Em meio a variáveis que justificaram tal comportamento dentro daquele contexto e que naquele momento os envolvidos não foram capazes de gerenciar com sabedoria. Cada um fez o melhor que podia. E nem sempre o melhor de cada um é a atitude mais benéfica.

Feito o movimento de olhar para si, para os outros e para a situação com compaixão, é possível verificar se algo pode ser feito para reparar o dano causado.

Se for o caso, nem que seja um pedido de "desculpa" ou de "sinto muito" pode fazer a paz retornar a mente e ao coração de quem está sob tortura mental. A tortura provocada pelo sentimento de culpa.

Já sentiu culpa dentro da perspectiva compartilhada aqui? Como foi lidar com o sentimento?

Beijo :)

Aline


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