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Como entender o comportamento das pessoas

Relacionamentos

Estamos constantemente interagindo uns com os outros. Tentando entender o comportamento das pessoas e nos fazer entendidos. Quando não ocorre esse "match", vivenciamos conflitos. E ninguém, em sã consciência, curte fazer parte de um conflito. Daí surge a questão: como facilitar a compreensão mútua? A Teoria da Consciência dos Relacionamentos pode nos ajudar nessa missão. Conhece?

Compreender uns aos outros é um desafio constante nas nossas relações pessoais e profissionais.Um desafio que se torna ainda mais difícil porque temos o hábito de julgar uns aos outros pela maneira que nos comportamos. Com base na observação de atitudes, modo de falar, vestir, do que consumimos ou não.

Aspectos que estão na superfície e têm potencial de confundir a percepção sobre o real significado de um comportamento. Pessoas diferentes podem adotar o mesmo comportamento com motivações distintas.

Há quem utilize relógio para não se atrasar para os encontros em respeito às pessoas. Outros adotam o acessório apenas como símbolo de status, ou para controlar o tempo e cumprir os compromissos conforme o planejado.

A primeira pessoa quer preservar as suas relações, a segunda busca validação social e a terceira manter a fluidez do seu processo.

A análise de um comportamento sem considerar as suas motivações é superficial. Pois o comportamento revela "o que" uma pessoa faz, não "porquê" ela faz algo.

E a razão por trás do comportamento, ou seja: a motivação, que é o mais relevante para compreendermos as pessoas. A essência de alguém e o significado das suas ações.

Essa investigação do "porquê" por trás do comportamento é proposta pela Teoria da Consciência dos Relacionamentos (TCR).

O que é a Teoria da Consciência dos Relacionamentos?

A Teoria da Consciência dos Relacionamentos (TCR) foi criada pelo psicólogo clínico Elias H. Porter, e tem como objetivo nos ajudar a entender o comportamento das pessoas por meio da identificação das suas motivações.

A proposta da teoria é que a partir da consciência sobre o "modo de operar" de cada pessoa, podemos articular singularidades e cultivar relações mais sustentáveis.

Na TCR, uma ação é composta por três camadas: 1. motivações; 2. intenção, e 3. Comportamentos.

  1. Motivações: é a camada mais profunda, na qual baseamos as nossas ações.

Ex: A motivação de uma pessoa fazer um curso superior pode ser a) oferecer melhores condições de vida para a sua família. Para outras b) assumir uma posição de liderança na sociedade, ou c) conquistar segurança e estabilidade por meio da aprovação em um concurso público.

  1. Intenção: é o objetivo da motivação.

Ex: Assim, a intenção de fazer o curso superior é, no caso de a) morar em um bairro menos violento e não ter que poupar, inclusive, com alimentação; b) realização pessoal c) evitar sentimentos negativos como a ansiedade causada pelo medo de ser demitido a qualquer momento.

  1. Comportamentos: é a camada mais evidente. A que percebemos e julgamos uns nos outros. Por trás dela estão a nossa motivação e intenção.

Ex: Observando apenas o comportamento "fazer um curso de graduação", acreditamos que a pessoa é estudiosa, que está apenas cumprindo um protocolo social, que quer trabalhar em uma área que gosta ou que"dá dinheiro".

No exemplo, cada pessoa que "faz o curso superior" tem uma motivação diferente. A primeira é motivada por pessoas (prover para pessoas queridas), a segunda por performance (status e liderança) e a terceira por processos (ordem/segurança).

O comportamento que apresentamos na superfície é o resultado de uma escolha inconsciente feita com base na nossa motivação. E de acordo com a TCR, podemos ser motivados pelos três aspectos que indiquei: pessoas, performance e processos.

De onde surgem as motivações dos comportamentos das pessoas

A Teoria da Consciência dos Relacionamentos considera que cada pessoa possui um Sistema de Valores Motivacionais (Motivation Value System - MVS), que pode ser identificado por meio de uma ferramenta de autoavaliação chamada Inventário de Utilização de forças (Strength Deployment Inventory - SDI).

Com base nesse processo de autoavaliação é possível identificar se as ações de uma pessoa é principalmente motivada por:

  • pessoas - forças: leal, confiável, honesto, prestativo, busca conexão e preocupa-se com as necessidades dos outros etc.
  • performance (resultado) - forças: ambicioso, ágil, movido por objetivos, competitivo, tem necessidade de liderar etc.
  • processos - forças: focado, cauteloso, metódico, tem necessidade de ordem e de segurança etc.

Uma pessoa pode ter mais de uma motivação central. Esses perfis são chamados de híbridos, e podem adotar as seguintes configurações:

  • Foco em Pessoas + Performance - quer resultado respeitando as necessidades das pessoas, pode negligenciar o processo.
  • Foco em Processos + Pessoas - quer ordem respeitando as pessoas, pode negligenciar o resultado.
  • Foco em Performance + Processos - quer resultado e ordem, pode negligenciar as pessoas.

Por último, há quem seja classificado dentro do Grupo Hub. São pessoas extremamente adaptáveis, que mesclam todos os MVS (pessoas, processos e performance) de acordo com o interlocutor e a situação.

Cada pessoa conta com todos MVS. A questão aqui é identificar qual é mais predominante na nossa personalidade e na dos outros. Mas cuidado, alguém pode soar como pessoas e na realidade ser mais motivado por processos e performance, e vice-versa.

É preciso um "mergulho" no outro para identificarmos as suas verdadeiras motivações. Um "mergulho" que nem sempre nos permitimos fazer pois nos apegamos facilmente a preconceitos, juízos de valor e primeiras impressões.

Os 4 elementos da Teoria da Consciência dos Relacionamentos

Nenhum MVS é melhor ou pior. Todos apresentam características que podem ser aplicadas de forma positiva ou negativa. É na aplicação "exagerada" de um comportamento baseado no MVS predominante, que pode surgir um conflito entre pessoas com MVS diferentes.

Na Teoria da Consciência dos Relacionamentos a dinâmica das nossas relações ocorre na interação de 4 elementos:

  1. Motivo (ou motivações) - como expliquei, é o que está por trás de um comportamento e dá significado para ele. Esse significado vem daquilo que mais valorizamos: pessoas, performance e/ou processos.
  2. Forças - são os comportamentos humanos. Dentro da perspectiva da TCR, as forças são os comportamentos e pontos fortes característicos de cada um dos MVS: pessoas, performance e processos.
  3. Forças exageradas - são a manifestação de uma força (ou seja, de um comportamento) que é percebido por alguém com MVS diferente como um comportamento exagerado. Essa incompatibilidade na percepção de um comportamento pode gerar o conflito.
  4. Conflito - na TCR entramos em conflito quando acreditamos que estamos diante de uma ameaça à nossa motivação pessoal. Isso é expresso diante da ameaça à nossa reputação, objetivos, ponto de vista etc.

Diante disso, os quatro elementos interagem da seguinte maneira: os nossos motivos (pessoas, performance e processos) geram uma força (comportamento), que pode ser interpretada pelo outro como uma força exagerada (um comportamento exagerado).

Dessa percepção nasce o conflito, pois o comportamento (força) de uma pessoa é interpretado pela outra como algo estranho, não natural ou ameaçador.

Confuso?!

Calma que tem exemplo pra facilitar a compreensão.

Exemplos, me dê exemplos

Exemplo 1

Embora esses termos soem bastante corporativos, essa dinâmica se aplica às nossas relações cotidianas em família, entre amigos, na relação a dois e com estranhos na rua.

Uma "pessoa performance" pode ficar extremamente frustrada ao abordar um amigo ou parceiro de forma entusiasmada com a ideia de uma viagem para a Bahia e, de imediato, o outro começa a questionar detalhes do "planejamento da viagem".

Em um primeiro momento quem conta a boa nova acredita que o outro quer sabotar a proposta da viagem apontando "muitos poréns". Mas na realidade os questionamentos feitos são apenas o MVS processos falando. A forma natural de a pessoa processos ver o mundo passa pela necessidade de planejar, pensar etapa por etapa, prever e evitar riscos etc. É a sua forma de atender os seus motivos e de cuidar dos outros.

Exemplo 2

Agora, imagine o inverso, que uma "pessoa processos" vai explicar um problema pessoal ou profissional a ser resolvido para uma "pessoa performance."

A primeira precisa compartilhar o máximo de dados para garantir que a segunda terá todas as informações necessárias para entender a questão e contribuir com a resolução do problema. A segunda fica confusa em meio a tantas informações. Logo, cansa de escutar e perde o foco de atenção.

Para alguém motivado por performance, uma contextualização mais curta poderia facilitar o entendimento da situação e a resolução do problema. Por outro lado, a pessoa processos precisa de dados, muitos dados.

Logo, a primeira é considerada prolixa pela segunda. Já a segunda é interpretada como superficial ou impulsiva pela primeira.

Ou seja, há duas pessoas interagindo, mas a comunicação não ocorre pois ambas possuem motivações diferentes.

Exemplo 3

Alguém motivado por pessoas pode soar muito apegado para quem é motivado por performance e processos, diante do comportamento de enviar mensagens para a família, amigos ou parceiro diversas vezes ao longo do dia, para checar o bem-estar das pessoas.

Ou pode ser considerado menos "efciente" porque considera os sentimentos, emoções e história de vida das pessoas em um processo de tomada de decisão.

O mais importante: anota aí

O mais importante nesta conversa até aqui é compreender que as nossas ações, bem como o modo de sentir e de interpretar o mundo está diretamente conectado ao nosso MVS predominante.

Para o autor da teoria, não é possível mudar o MVS central de alguém. Mas podemos adaptar o comportamento que apresentamos para criar mais conexão com as pessoas que interagimos.

Posso ter um MVS performance e adaptar o meu comportamento ao interagir com uma pessoa com MVS processos. Respeitar a sua necessidade de segurança e ordem, e com isso evitar pressioná-la para seguir o meu ritmo mais ágil.

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Da consciência à eficácia nos relacionamentos

A Teoria da Consciência dos Relacionamentos nos concede mais clareza sobre nós e sobre como os outros funcionam. Indica que os comportamentos "exagerados" de uma pessoa são percebidos assim porque não conversam com as nossas motivações. Para o outro seus exageros são comportamentos naturais.

Reconhecemos que apenas soamos estranhos, não naturais e ameaçadores uns para os outros por conta das nossas diferentes motivações. Esse reconhecimento treina a nossa capacidade de considerar o jeito de ser do outro e a disponibilidade de lidar com essa diferença de forma mais sábia.

Dentro dessa perspectiva, para cultivarmos relacionamentos mais sustentáveis, a TCR indica que é necessário:

  1. tomar consciência das nossas forças e de como podem ser aplicadas de forma positiva ou negativa;
  2. compreender o que ocorre conosco e com os outros quando interagimos;
  3. aceitar as diferentes formas de como as pessoas funcionam;
  4. apreciar a diferença a partir da perspectiva de que podemos nos relacionar bem com quem não compartilha o nosso jeito de ver e sentir o mundo;
  5. com base nesse processo podemos evitar desencontros e fazer as nossas relações fluirem. Logo, alcançar a eficácia nos nossos relacionamentos.

Conhecia a Teoria da Consciência dos Relacionamentos? Identificou-se mais como alguém motivado por pessoas, performance ou processos? Há mais chances de entrar em conflito com qual MVS?

Beijo :)

Aline

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