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Como as emoções afetam a sua capacidade de realização?

inteligência emocional

Sabe quando você acorda super animado para cumprir as tarefas do dia, aí chega na hora do almoço e todo aquele gás foi embora?

Ou, sem uma razão aparente, após conversar com um colega de trabalho fica de mau humor e tem dificuldade de voltar a focar na tarefa que estava realizando?

A oscilação no nível de energia diário e a nossa capacidade de realização podem ser afetados por diversos fatores: alimentação, rotina de sono, clareza e planejamento sobre tarefas prioritárias, entre outros.

Nesta conversa quero focar em um motivo que talvez seja negligenciado pela maioria das pessoas: as emoções.

Os pensamentos, as ações e interações que ocorrem ao longo do dia reconfiguram o nosso estado emocional momento a momento. O que afeta diretamente a disposição e o foco e, consequentemente, prejudica ou contribui com a produtividade.

O que é estado emocional?

De acordo com Richard J. Davidson e Sharon Begley, no livro O estilo emocional do cérebro, o estado emocional “é a menor e a mais efêmera das unidades das emoções”. Dura apenas segundos e pode surgir como resultado da atividade mental (pensamentos) ou de uma experiência:

  • Ficamos felizes ao receber um presente ou finalizar um projeto.
  • Sentimos tristeza por não conseguir ajudar um amigo querido.
  • Ou raiva após esperar horas na fila do banco e descobrir que os caixas estão fora de operação.

O humor é caracterizado por um sentimento “que persiste e se mantém consistente ao longo de minutos ou de horas, ou até de dias”. Percebeu que temos o hábito de dizer apenas que estamos ou que alguém está de mal humor, sem investigar exatamente qual a causa desse estado emocional prolongado.

Já o traço emocional é expresso por meio de uma característica que pode durar anos. Por exemplo, uma pessoa que apresenta um comportamento geralmente explosivo do tipo “oito ou oitenta” pode ser alguém considerado com raiva crônica. O estado emocional ou humor, torna-se um traço emocional devido sua persistência.

Por último, os autores apresentam o estilo emocional, um conceito desenvolvido por Davidson e Begley, por meio do qual divulgam a ideia de que cada pessoa apresenta um jeito singular de sentir. Esse “jeito” influencia nossos estados emocionais e humores de modo consistente ao longo da vida.

Claro? Confuso?

Oscilação de humor x oscilação de energia = aumento ou baixa da produtividade

No início desta conversa mencionei dois exemplos:

  1. acordar animado e sentir-se sem energia no final da manhã,
  2. e demonstrar certo cansaço e falta de foco após a conversa com um colega de trabalho.

A oscilação de energia apresentada nos dois casos pode estar relacionada à falta de consciência sobre as consequências dos acontecimentos que experienciamos diariamente. Como aprendemos, o estado emocional é algo efêmero, já o humor pode durar minutos, horas ou dias.

Segundo Daniel Kahneman, autor do livro Rápido e devagar: duas formas de pensar, vivenciamos cerca de 20 mil momentos em um dia. Em geral, as emoções geradas por eles passam despercebidas, devido operarmos no modo automático, desconectados de nós mesmos, apenas cumprindo tarefas.

Cena 1

Durante uma conversa corriqueira talvez receba um elogio que pode deixá-lo feliz e, com isso, mais autoconfiante e motivado a focar e finalizar um projeto. Ou, ao contrário, a felicidade pode causar um estado de êxtase. Agitado, não consegue se concentrar em nenhuma tarefa.

Cena 2

Talvez você não receba um elogio, sim uma crítica que desperte raiva. Imerso em raiva ocorre o risco de perder horas do seu dia, mantendo conversas mentais, ruminando sobre o ocorrido. Pensa sobre o que deveria ter respondido ao autor da crítica da forma x e começa a ensaiar uma futura conversa com ele.

Por outro lado, você pode transformar sua raiva em estímulo para ficar ainda mais focado no que precisa ser feito, reflete: “vou fazer o melhor trabalho possível porque agora é a hora de mostrar que o fulano estava errado”.

Querer provar o próprio valor para os outros não é o comportamento mais recomendado. Contudo, precisamos ser honestos e reconhecer que, nesse caso, entre as duas opções é a atitude mais sábia.

Emoções: nem boas, nem ruins

Percebeu nos exemplos acima que tanto uma emoção agradável quanto uma desagradável pode nos ajudar ou prejudicar?

Emoções não são boas, nem ruins. São incríveis fontes de dados, que revelam informações sobre nosso universo interior.

Vou repetir muito isso em nossas conversas por aqui, para que faça as pazes o mais rápido possível com a suas emoções difíceis (raiva, tristeza, medo, aversão, surpresa e desprezo).

Treine o olhar para reconhecer e escolher, conscientemente, como lidar com nossas emoções

Está tudo bem sentir raiva ou felicidade. É impossível não sentir, e sentir é muito importante

Não devemos nos preocupar com a existência ou não das nossas emoções, sim com o que podemos fazer para nos ajudar a conviver com elas e minimizar seus efeitos em nossa produtividade.

Conscientes de como determinados acontecimentos provocaram um estado emocional e alteração do humor, as pessoas nas situações citadas seriam capazes de regular suas emoções e adotar a melhor estratégia para minimizar seu impacto no bem-estar e na capacidade de realização.

Emoções são temporárias, vem e vão. Apenas precisamos aprender a reconhecê-las e deixá-las ir.

Como está se sentindo agora? Essa conversa provocou alguma alteração no seu estado emocional?

Beijo 🙂

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