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Avalie e cultive autoestima saudável com 1 questionário e 3 passos

Educação Emocional

Sabe o que é autoestima e como cultivá-la? Já adianto que ela é essencial para desenvolvermos autoconfiança. Nesta conversa compartilho uma definição, forma de avaliação e comportamentos essenciais para cultivarmos autoestima saudável.

Autoestima pode ser compreendida como o conjunto de sentimentos que nutre e o valor que concede a si mesmo. Pode orgulhar-se ou irritar-se com determinadas características e comportamentos que manifesta, acreditar que é bom o bastante  ou não para uma oportunidade de trabalho ou para um relacionamento etc.

Na costura de tais sentimentos e da concepção de valor próprio é revelado como percebe-se; sua autoimagem.

Autoestima é construída nas relações

Tal autopercepção é construída nas relações interpessoais. Como assim? Na constantemente validação/invalidação de nossas características e comportamentos pelos outros. A maneira como absorvemos e lidamos com a avaliação e julgamento externo aos poucos constrói  uma autoimagem saudável ou destrutiva.

A autoestima de uma pessoa começa a ser moldada na infância por meio das interações com os pais, a família e pessoas próximas que constantemente parabenizam e punem traços de personalidade e comportamentos.

Esse núcleo é, também, nossa primeira referência de autoestima. Observamos o modo como operam, e assim aprendemos a lidar (ou não) com quem somos, com a exposição do nosso ser no mundo e com a recepção positiva/negativa que tal expressão pode gerar no outro.

Na infância possuímos pouca autonomia para interferir na costura da nossa autoestima - o que felizmente pode ser feito na vida adulta. Mas antes de seguirmos para o "como fazer", vamos checar como está sua autoestima.
 

Como avaliar minha autoestima?

A escala de Rosenberg criada para medir a autoestima em adolescentes nos dá um norte para refletirmos sobre como nos percebemos. O questionário é composto por dois blocos de afirmações positivas e negativas, e ao respondê-lo devemos considerar o nível de identificação com as afirmações. Anote a pontuação que conceder a cada afirmação e no final some o resultado.

No primeiro bloco  considere as seguintes notas de acordo com seu nível de identificação com a frase:
concordo totalmente = 4; concordo = 3; discordo = 2; discordo totalmente = 1

Em geral, estou satisfeito comigo mesmo(a).
Eu sinto que sou uma pessoa de valor, igual às outras pessoas.
Eu sinto que tenho um tanto de boas qualidades.
Eu sou capaz de fazer coisas tão bem quanto a maioria das outras pessoas.
Eu tenho uma atitude positiva em relação a mim mesmo

Já no segundo bloco considere a seguinte pontuação:
concordo totalmente = 1; concordo = 2; discordo = 3; discordo totalmente = 4

Às vezes, eu acho que não sirvo para nada.
Eu sinto que não tenho muito do que me orgulhar.
Às vezes, eu realmente me sinto inútil.
Eu gostaria de ter mais respeito por mim mesmo(a).
Quase sempre eu estou inclinado(a) a achar que sou um(a) fracassado (a).

A pontuação final oscila entre 10 e 40 pontos. Quanto mais próximo do extremo 10, menor a autoestima; e quanto mais próxima do extremo 40, mais elevada é a autoestima.

Uma pontuação que indica boa autoestima encontra-se entre 30 e 40 pontos. No entanto, é preciso analisar com cuidado resultados no extremo 40, pois quem conquista tal pontuação pode manifestar um comportamento míope em relação a si mesmo, ou seja: supervalorizar-se. Equilíbrio, amigos, sempre é o melhor caminho.

E aí, qual foi o seu resultado?

Se identificou que está com baixa autoestima é possível que queira saber como lidar com isso, certo? Sigamos para o "como fazer".

Ops! Antes de seguir recomendo que retorne ao questionário da escala de Rosenberg, e avalie suas respostas a cada uma das afirmações. Esse processo vai começar a esclarecer o que afeta sua autoestima.

Por exemplo, pode questionar o que exatamente faz com que não se sinta satisfeito consigo? O que faz você acreditar que não possui boas qualidades? Ou o que indica que vale menos que os outros? Será que realmente não tem do que se orgulhar? Liste suas conquistas, por mais simples que sejam. Fracassado com base em quê?

A ideia aqui é conseguir listar fatos concretos que validem ou não considerações negativas que faz de si. A listinha evidenciará as considerações negativas que são apenas pensamentos, divagações internas, e não encontram validade em fatos.

Também revelará pistas de onde precisa colocar energia para se desenvolver para se sentir melhor em relação a determinado aspecto. Por exemplo, quais atividades faço ou posso fazer para me sentir útil? O que me faria ter mais respeito por mim? Em seguida transforme isso em uma ação prática. E assim por diante.

Cultivando autoestima (saudável) em 3 passos

Há três atitudes que acredito que são fundamentais para cultivarmos boa autoestima.

1.Reconhecer pontos fortes e oportunidades de melhoria (vulgo, fraquezas)


Quem está com baixa autoestima geralmente tem dificuldade de reconhecer qualidades em si, o que é essencial para 'aumentar' nossa percepção de valor próprio e construir uma autoimagem saudável.

Uma maneira de reconhecermos nossos pontos fortes é observar e, de preferência, anotar falas positivas a nosso respeito, como um  elogio, comentário, reconhecimento do amigo, chefe ou colega de trabalho.  Também podemos perguntar diretamente para pessoas próximas que nos querem bem sobre nossas qualidades.

Nesse processo também é importante reconhecermos oportunidades de melhoria reais. O que também pode ser feito por meio da observação e consulta a pessoas próximas. Observe e anote comportamentos e aspectos da sua personalidade pelos quais é 'punido' pelos outros. Por exemplo, em diferentes ocasiões seu parceiro chama sua atenção por estar distraído, ou o chefe e colegas de trabalho reclamam por nunca chegar no horário.

O importante aqui é observar e registrar fatos de forma objetiva, e desapegar-se de divagações mentais - que podem não ter a menor conexão com a realidade.

2.Acolher a vulnerabilidade e praticar autocompaixão

Como qualquer ser humano você provavelmente identificará algumas oportunidades de melhoria. Traços de personalidade e comportamentos que pode interpretar como 'fraquezas'.

Diante disso é possível adotar diferentes posturas, recomendo duas: 1) acolher aquilo que torna você vulnerável. A pesquisadora e escritora Brené Brown, considera que vulnerabilidade é a coragem de ser imperfeito. Isso quer dizer que está tudo bem reconhecer suas imperfeições e acolhe-las. O que não significa que devemos adotar uma postura do tipo "sou assim e ninguém vai me mudar".

Aí entra a segunda recomendação: 2) quando acolhemos nossas imperfeições podemos simplesmente decidir conviver com elas (como um aluno meu disse em sala: "nem tudo a gente precisa resolver"), mas se houver vontade genuína podemos buscar alternativas para melhorar o que nos incomoda. Isso é autocompaixão, pois além de demonstrarmos empatia conosco queremos nos ajudar.

3.Engajar-se em atividades que valorizam pontos fortes

E o que a gente faz com as nossas qualidades? Compartilha com o mundo. Colocar nossas forças para jogo requer menos esforço pois fluem naturalmente. Na maioria dos casos apenas não as reconhecemos ou limitamos a sua expressão. Caso enfrente dificuldades em reconhecer suas qualidades, volte ao passo 1. Se já reconhece bora compartilhar seu melhor com os outros. Caso precise inspiração nesse processo super recomendo a leitura do livro Mostre seu trabalho, de Austin Kleon.

Aprenda a lidar com o que contribui para a construção da autoestima


Como mencionei no início desta conversa, nossa autoestima é construída em nas relações interpessoais. Mas as possíveis validações/invalidações pelas quais passamos diariamente só reverberam se não tivermos clareza e não soubermos lidar com nossas qualidades e oportunidades de melhoria.

Sim, não há alternativa, a vida em sociedade nos coloca na posição de  sermos avaliados pelo outro constantemente. Uma atitude mais positiva diante disso é direcionar nossa atenção para fatos.

Identificar de forma objetiva quais são as nossas qualidades e oportunidades de melhoria nos ajuda a antes de absorver qualquer validação/invalidação externa, checar se isso é coerente. E daí partir para os passos dois e três que mencionei: acolher e/ou praticar autocompaixão, ou simplesmente evidenciar nossas qualidades.

Havia refletido sobre autoestima sob essa perspectiva? É um tema muito rico que pode ser abordado sob outros olhares.

Por ora, compartilhe comigo suas reflexões para seguirmos cocriando o bem viver.

Beijo :)
Aline
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