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A sua comunicação bloqueia a conexão com o outro?

Comunicação

Somos capazes de bloquear a conexão com o outro até mesmo diante da situação mais propícia para que ela flua: quando alguém nos escolhe para compartilhar algo bom que aconteceu com ele. Acredita? Confira como não ser essa pessoa que bloqueia a conexão por meio da comunicação. Ou pelo menos em uma etapa do processo de comunicação.


Um amigo nos aborda para contar que aprendeu uma nova habilidade e, sem notarmos, a) mudamos o foco da conversa para nós, b) estamos muito ocupados para conceder atenção à sua fala, c) encontramos problemas no que está dizendo, ou d) apenas não nos empolgamos com a sua novidade.

Alguém se identifica?

Ou seja, somos capazes de bloquear a comunicação até mesmo diante da situação mais propícia para que ela flua: quando alguém nos escolhe para compartilhar algo bom que aconteceu com ele.

Acredita?

Os exemplos que mencionei são tipos comuns de resposta ativa ou passiva, que pode ser construtiva ou destrutiva.

Embora soem inocentes, atitudes corriqueiras como essas aos poucos corroem as nossas relações.

Na realidade, podem minar uma relação antes mesmo que ela comece, pois esse tipo de resposta dificulta com que as pessoas entrem em sintonia e criem intimidade, laços de confiança e o sentimento de satisfação e compromisso.

Imprescindíveis para a construção de relacionamentos de qualidade, que envolvem entrar em sintonia com o outro e reciprocidade.

Quer entender melhor como funciona cada tipo de resposta e qual é a única que contribui para construirmos relacionamentos de qualidade?

Fica comigo porque explico isso para você ao longo desta conversa.

O que é resposta ativa ou passiva, construtiva ou destrutiva?

A comunicação (verbal e não verbal) é uma das nossas principais formas de conexão. Mas por falta de conhecimento, podemos dificultar o processo de entrar em sintonia uns com os outros exatamente por meio dela.

Toda comunicação envolve: um emissor que codifica (transforma um pensamento em algo comunicável) e envia uma mensagem, por meio de um canal, para um receptor que a decodifica (interpreta). A mensagem que comunicamos sempre gera um feedback (a resposta do outro) e está passível de sofrer interferências de ruídos - aspectos que podem distorcer o conteúdo da mensagem. Em uma conversa esse é um ciclo contínuo.

A comunicação é algo tão natural para nós, que sequer percebemos a atuação de todos esses componentes durante as nossas interações no dia a dia. E em todos eles podemos criar bloqueios para a conexão com o outro.

Hoje conversamos sobre como NÃO bloquear a comunicação na etapa do feedback (resposta).

Duvido que tenha pensado sobre isso.

Diante do compartilhamento de uma notícia positiva, podemos adotar quatro comportamentos: uma 1) resposta ativa e construtiva; 2) passiva e construtiva; 3) passiva e destrutiva, e 4) ativa e construtiva.

Imagine que um amigo conta para você que fez uma apresentação e que foi muito parabenizado pelos colegas de sala (caso seja um estudante) ou de trabalho.

Diante disso, você poderia reagir dizendo:

Resposta 1: Que massa! Estou muito feliz por você. É um super reconhecimento. E aí, como foi a apresentação? Quero detalhes. O que você fez? O que disseram?

Resposta ativa e construtiva (nutre):

  • demonstra interesse (faz perguntas e engaja-se na conversa);
  • compartilha entusiasmo com a notícia contada pelo outro;
  • apresenta linguagem corporal e expressões faciais amigáveis e receptivas (por exemplo, sorri);
  • faz contato visual.

 

Resposta 2: Ah, que legal.

Resposta passiva e construtiva (fria):

  • demonstra desinteresse;
  • não estimula a conversa. Na realidade encerra a conversa o mais rápido o possível.
  • ocupa-se com outras atividades (multitarefa) enquanto a pessoa fala;
  • não faz contato visual.

 

Resposta 3: Desculpa. Não posso escutar agora. Ou: hmmm que bacana! Sabia que sou ótimo em fazer apresentações? Isso me lembrou de uma ferramenta que usei na última apresentação que montei. Posso ensinar você a utilizar. Tenho certeza que vai curtir. Olha aqui...

Resposta passiva e destrutiva (ignora):

  • Ignora o que o outro diz;
  • Muda o assunto da conversa;
  • Torna-se o centro da conversa.

 

Resposta 4: Uau! Supreendente, hein?! Você em geral fica mega nervoso quando se apresenta. Ou: Quem te falou que você foi bem? Não foi a Ana, certo? Ela é muito boazinha... Não consegue avaliar naaaada. Tem certeza de que ela não estava amenizando a situação? Tipo consolando, sabe?

Resposta ativa e destrutiva (fere):

  • desacredita o que a pessoa fala e/ou a própria pessoa;
  • encontra falhas e problemas em tudo o que a pessoa diz;
  • rouba a felicidade do outro;
  • pode ser utilizada como uma forma de manipulação (estimular o outro a fazer o que você deseja).

Para ficar ainda mais claro, deixa eu compartilhar outro exemplo.

Contexto: José está assistindo televisão. Maria entra na sala e diz que ganhou duas entradas para o show da sua banda preferida. Diante disso, José pode adotar a seguinte postura:

Resposta ativa e construtiva (nutre):

Sério?! incrível! Você comentou que estava difícil conseguir os ingressos. Como isso aconteceu?

Resposta passiva e construtiva (fria):

Sem derviar os olhos da televisão, murmura: Que sorte... seguido de silêncio.

Resposta passiva e destrutiva (ignora):

Ah, é?.. Olha, você reconhece aquela atriz? Não consigo lembrar o nome dela. Outro dia eu estava conversando com o seu tio e ele me contou que...

Resposta ativa e destrutiva (fere)

A moça do tempo disse no jornal agora a pouco que vai chover muito no dia do show. Será que vale a pena mesmo ir? O trânsito vai ficar horrível e ainda vou perder um episódio da novela. O que você acha de ficarmos por aqui mesmo? A gente pede algo para comer. Vai ser bem mais gostoso... além do mais estou bem cansado. Você sabe que tenho trabalhado demais.

Além da possibilidade de ser utilizada como uma forma de manipulação, a resposta ativa e destrutiva também tem potencial de ser interpretada como um tipo de cuidado.

A pessoa compartilha uma boa notícia e, de imediato, você quer alertá-la sobre algo. Por exemplo, um colega conta que foi promovido e você questiona se ele tem certeza que deseja aceitar o cargo, porque isso implicará:

  • em mais horas de trabalho (ele havia mencionado que estava cansado);
  • terá que mudar de cidade (pergunta se ele já contou para o seu namorado ou marido?),
  • é uma grande responsabilidade (questiona se está realmente preparado).

Nesse caso, embora a intenção seja positiva: evitar o sofrimento alheio, sempre que houver o ímpeto de dar uma resposta ativa e destrutiva, antes é importante questionar se realmente é necessário fazer isso naquele momento.

Em geral, não é.

Você pode deixar a pessoa vivenciar a experiência de felicidade e, após algumas horas ou dias, abordá-la com o objetivo de fazer com que reflita melhor sobre o que compartilhou com você.

Apenas não mate a alegria alheia.

A única alternativa: resposta ativa e construtiva

Dentre os quatro tipos de respostas, apenas a ATIVA e CONSTRUTIVA contribui para o fortalecimento das relações interpessoais. Ela está conectada à criação do senso de compromisso, satisfação, intimidade e de confiança. As demais vão contra tudo isso.

Diante das respostas passiva e construtiva, passiva ou ativa e destrutiva, aos poucos a pessoa deixa de compartilhar o que a faz feliz. Assim, no longo prazo, a falta de reciprocidade desgasta o senso de confiança e intimidade, e pode afetar a autoestima e autoconfiança do outro - que começa a acreditar que não é digno de atenção.

Podemos adotar os três tipos de respostas prejudiciais de forma consciente ou não. Às vezes realmente queremos evitar criar um vínculo com determinada pessoa (um estranho puxa assunto na rua e você não quer engajar-se), ou desejamos punir o outro porque estamos magoados (damos um gelo, somos maus ouvintes propositalmente).

Caso seja consciente e você está disposto à arcar com as consequências, tudo bem. Somos humanos. Por mais autocosciente que a gente seja, há momentos em que é saudável nos permitir ser emocionalmente imaturos. Apenas tome cuidado para isso não se tornar o seu "modo padrão". Vale como exceção, não regra.

A situação preocupante existe quando adotamos esses tipos de resposta de forma incosciente e, com isso, sem sequer perceber contaminamos os nossos relacionamentos.

Por isso, é importante observamos qual é o tipo de resposta que adotamos com as diferentes pessoas que cruzam o nosso caminho, e entender por que às adotamos. Se tal resposta é utilizada de forma intencional ou não, se foi influenciada por nosso humor no dia ou por algo que aconteceu.

Caso adote os três tipos de respostas que bloqueiam a conexão por causa de alguma atitude do outro, ou por conta do seu humor, é uma ótima oportunidade de treinar a sua capacidade de autorregulação emocional. Decidir conscientemente como as suas emoções e sentimentos terão um impacto mais saudável na sua vida.

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Por uma comunicação que facilite a conexão com o outro

Toda relação tem que ser nutrida. Por isso, um ingrediente fundamental nas relações de qualidade é a consistência de comportamentos e gestos construtivos. O chato é que incoscientemente podemos fazer o contrário, ao responder quem cruza o nosso caminho de forma desinteressada ou defensiva.

Ao adotarmos a resposta ativa e construtiva como o nosso padrão de ação diante do compartilhamento de algo positivo que ocorreu com o outro, dizemos para ele sem sequer utilizar uma palavra que:

  • estamos interessados no que ele diz;
  • que o apreciamos;
  • nos importamos com ele e valorizamos o nosso tempo juntos.


Agora, você pode resistir e pensar: Não rola adotar essa postura a todo o momento, Aline. Sou muito ocupado.

Responder de forma ativa e construtiva à uma boa notícia compartilhada pelo outro, provavelmente não demandará mais do que cinco minutos do seu dia. Especialmente se você souber orientar a conversar.

Juro que o retorno sobre o investimento do seu tempo compensará, e muito. Você entrará em sintonia com as pessoas com as quais convive e seus relacionamentos se tornarão mais leves e fluidos.

Além disso, a maneira como nos comportamos influencia diretamente a forma como os outros nos tratam. Se você é uma pessoa receptiva, provavelmente os outros também serão receptivos quando você compartilhar uma boa notícia. Isso se chama reciprocidade - essencial em qualquer relação interpessoal de qualidade.

Todos os relacionamentos são baseados nas trocas entre os indivíduos: no dar e receber. Se estou me esforçando demais e não recebo na mesma medida, a conta não fecha. Relacionamentos permanecem se os benefícios forem maiores que os custos.

Isso soa extremamente matemático e racional, mas não se engane: é uma conta essencialmente emocional. Falamos mais sobre isso em outra conversa.

Por hoje, o para casa é refletir sobre como tem respondido às boas notícias compartilhadas com você.

Sua resposta é ativa e construtiva?

Beijo :)

Aline

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