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A importância das histórias que você conta na construção da autoimagem

Respiro

Diariamente construímos narrativas sobre nós inconscientemente. Para evitarmos o autoengano e a criação de uma imagem inconerente com a nossa essência, é importante ter clareza sobre o que nos aconteceu e do impacto de nossas histórias na construção do nosso eu para a gente e para o outro.

Maria foi demitida. Em casa, desabafa com o esposo e expressa o quanto se sente mal com o ocorrido. Na reunião de família diz ter saído do emprego para se dedicar mais aos filhos. Embora administrar casa e trabalho não seja um problema para ela. À amiga de faculdade, que encontra no shopping, conta que está buscando melhores oportunidades.

O que realmente ocorreu com Maria?

Maria foi demitida e diante de uma situação de vergonha narrou diferentes  histórias sobre o fato para corresponder expectativas não apenas dos outros, mas principalmente dela na construção de sua imagem pessoal.

Qual sua opinião sobre o comportamento de Maria? Durante segundos podemos julgá-la, mas a real é que qualquer um de nós podemos ser Maria. E não apenas neste cenário, mas em muitos outrosUma história pode ser contada de diferentes formas, sob diferentes perspectivas.

Como você conta sua história?

O poder de nossas histórias na construção da imagem pessoal - para nós e para o outro

Constantemente somos convidados a narrar nossa história de vida, ou as múltiplas histórias que constituem essa jornada, como algum acontecimento na infância. Conforme muda a situação e o interlocutor, a maneira como contamos uma história pode mudar.

Precisamos estar atentos sobre tais narrativas. Apesar de pouco valorizadas, as histórias que contamos sobre nós têm papel importante na construção da nossa autoimagem e na imagem que os outros constituem da gente.

Se falo internamente que sou uma pessoa organizada e produtiva, e compartilho essa ideia para as pessoas no trabalho, de certa forma eu me torno a pessoa descrita. Há coerência entre a história narrada e minha realidade? No meu dia a dia sou organizado e produtivo? Em geral é a vivencia do que falamos que fortalecerá ou não as histórias que contamos.

Às vezes pode existir uma disputa de histórias entre quem somos e como desejamos que os outros nos vejam. Mesmo diante de uma situação de vergonha, como a de Maria, podemos narrar histórias heroicas com o intuito de criarmos a imagem desejada.Nessas histórias, é comum omitir o problema ou terceirizá-lo.

Na maioria dos casos, as falsas histórias só enganam quem às conta. E este é o problema. Ao “acreditar” nessas histórias não lidamos com os conflitos que estão sob a farsa. E a tendência é que tais conflitos se tornem uma bola de neve.

O “falso eu” em disputa com o “verdadeiro eu” em conflito cria desequilíbrio físico, mental e emocional. O que cria uma vida incoerente e nem um pouco autêntica. Assim, de que adianta ter boas histórias que correspondem expectativas, se elas não refletem a realidade e não solucionam o problema?

Talvez Maria recebesse um abraço da amiga ou palavras positivas da família se tivesse contato sua história verdadeira.

Refletir a realidade não quer dizer ser mau consigo, nem adotar postura de vítima

Pessoas perfeccionistas e muito autocríticas geralmente são cruéis consigo. Ao contrário da narrativa de herói, elas têm a tendência de se desvalorizarem, especialmente por meio da comparação. Reinam no universo pessimista das narrativas internas.

Para além da observação da maneira como contamos nossas histórias para o outro, precisamos nos atentar em um primeiro nível a maneira como  narramos nossas histórias internamente.

O autoengano, seja para melhorar ou depreciar nossa autoimagem, começa internamente. Para não nos submetermos à ele precisamos observar se recorrentemente negligenciamos fatos e nos colocamos na posição de herói ou de vítima. E, ainda, se nos sujeitamos a julgamentos internos que criam uma imagem pessoal negativa e nos paralisam.

Abandone os estereótipos: mantenha diários (ou se preferir, relatos de experiência)

O diário é uma ótima ferramenta para a conquista de mais clareza sobre como contamos nossas histórias. Ele torna possível o registro de percepções sobre os acontecimentos à nossa volta. Permite-nos visitar e analisar a maneira como narramos tais acontecimentos, lançando um novo olhar sobre nós e sobre o que nos aconteceu.

Quando não estamos imersos nas emoções provocadas pelos acontecimentos, conseguimos ampliar nossa perspectiva. Com a cabeça fria é possível pensar com mais clareza e rever nossa postura diante de algo.

Ao fazer esse movimento pode ser até que certezas se reconfigurem, assim como nossa imagem pessoal.

Um conselho amigo: cultive o hábito de escrever diários. Embora contraditório, mantenha um “diário” mesmo que não consiga escrever todos os dias. Escreva nos momentos de conflito e quando precisar desabafar. Se não se sente confortável para escrever, registre o ocorrido em áudio ou vídeo.

O importante é registrar para revisitar como o fato ecoou em você. Ao reler um diário confrontamos o “eu imaginado” com o “eu expressado”, e o “fato sentido” com o “fato ocorrido”.

Ah, e se quiser extrair ainda mais benefícios da ferramenta, registre também as coisas boas que acontecem em sua vida. Diários também funcionam como ótimas ferramentas para exercício da gratidão.

Clareza para contar histórias reais

Quando convidei você para esta conversa tinha um objetivo claro, chamar sua atenção para a maneira como conta sua, ou suas histórias. Construímos nossa narrativa todos os dias e na maioria das vezes de forma inconsciente.Nesta conversa busquei destacar os seguintes pontos:

  • Não raro contamos falsas histórias para corresponder expectativas, que podem ser mais nossas do que dos outros.
  • Falsas histórias são contadas primeiro internamente. Além de heróicas elas podem ser depreciativas.
  • O risco das falsas histórias mora na negligência da existência de um problema: como a vergonha.
  • Diários nos ajudam a ter mais clareza sobre nossas histórias e como as narramos.
  • É preciso ter consciência de que as histórias que diariamente contamos para nós e para os outros nos constituem.

Criam nossa autoimagem e, de certo modo, fazem nosso marketing pessoal. Marketing pessoal é a arte de contar histórias sobre nós.
Precisamos ter clareza sobre o que nos aconteceu para contar histórias verdadeiras, que nos tornem mais fortes. Histórias em que, às vezes, somos vítimas, vilões ou heróis, ou provavelmente todos ao mesmo tempo. Histórias reais que refletem quem a gente é, de verdade.E então, como você conta sua, ou suas histórias?

Beijo :)

Aline

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